SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O desentendimento entre Neymar e Robinho Júnior no treino do último domingo (3), no CT Rei Pelé, gerou versões distintas nos bastidores do Santos.
Conforme apuração da reportagem, os relatos de pessoas que acompanharam a atividade são divergentes quanto à conduta do camisa 10 no episódio envolvendo o jovem atacante.
Há versões que mencionam apenas um leve empurrão em Robinho Júnior, enquanto outras indicam a possibilidade de um tapa.
Internamente, não há consenso se a situação é caracterizada como agressão.
CLIMA COMPETITIVO E PROVOCAÇÃO
O episódio ocorreu em um treino em campo reduzido, com jogadores que não foram titulares no empate contra o Palmeiras, no último sábado, pelo Campeonato Brasileiro. A atividade foi marcada por alta intensidade e clima competitivo.
Durante o coletivo, Robinho Júnior fez um gol e houve reclamação de impedimento por parte do time adversário, formado por Neymar e outros atletas mais experientes do elenco santista. O jovem reagiu com provocações, o que não foi bem recebido por alguns jogadores.
A discussão teve sequência após uma dinâmica de um contra um que foi proposta pelo técnico Cuca para desempatar o coletivo, que terminou 2 a 2. Neymar e Robinho Júnior ficaram frente a frente na atividade.
Robinho conseguiu um drible em Neymar e finalizou a jogada, mas o goleiro defendeu. Na sequência, o camisa 10 iniciou provocações ao atacante.
Foi nesse momento que surgiram versões divergentes sobre o ocorrido. Parte dos relatos menciona um contato físico leve, outros apontam para uma atitude mais ríspida, sem confirmação quanto à intensidade da ação.
Após o lance, Robinho Júnior deixou o campo em direção ao vestiário. Neymar foi atrás do jogador, e os dois conversaram após o término do treino.
Pessoas próximas a Robinho Júnior demonstraram incômodo com a situação e procuraram a diretoria para registrar insatisfação. Ao UOL, o estafe do jovem afirmou ter sido pego de surpresa e preferiu não se manifestar.
A assessoria de Neymar não respondeu até o momento.
CASO É TRATADO COMO COMUM
O Santos não divulgou nenhuma nota oficial sobre o caso. A avaliação é de que o episódio está dentro da normalidade do ambiente de treino.
Por isso, a comissão técnica entende que não há necessidade de qualquer medida disciplinar.
A leitura interna é de que o episódio ocorreu em um contexto de alta competitividade. Especialmente em atividades de espaço reduzido. Pessoas ligadas ao clube ressaltam que situações semelhantes são comuns no futebol.
Também há o entendimento de que a situação ganhou repercussão pelo envolvimento de Neymar. A avaliação é de que episódios recentes envolvendo outros jogadores não tiveram o mesmo destaque.
Nos últimos dias, por exemplo, o UOL apurou que houve registros de cobranças mais duras no elenco, como uma manifestação de Lucas Veríssimo ao grupo após empate contra o Bahia. Outra situação envolveu Gabriel Brazão e Igor Vinicius, sem repercussão externa.
Neymar e Robinho Júnior mantêm uma relação próxima no dia a dia do clube. O camisa 10 é visto internamente como referência e também como uma figura de apoio ao jovem atacante dentro do elenco.
O episódio gerou surpresa justamente por essa relação. Ainda assim, a informação é de que os dois se acertaram rapidamente após o treino.
A comissão técnica espera contar normalmente com os dois jogadores no duelo contra o Recoleta, do Paraguai, nesta terça-feira, pela Sul-Americana. A tendência é que Neymar inicie a partida entre os titulares, enquanto Robinho Júnior deve começar no banco de reservas.
