SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A recusa do Corinthians à proposta do Milan pelo volante André, no início de março, ainda gera repercussões internas no clube.

Nas últimas semanas, o grupo de reestruturação financeira do Corinthians encerrou suas atividades. E a negociação frustrada teve peso importante para isso.

Um dos principais fatores para as saídas foi justamente a permanência de André. André Recorder e Gabriel Diniz Abrão, associados do clube e profissionais do mercado financeiro, deixaram a coordenação do grupo, criado em outubro do ano passado.

A venda de atletas nos primeiros meses do ano era considerada uma das principais linhas do planejamento orçamentário elaborado pelo grupo de reestruturação financeira no fim da última temporada. No entanto, a execução do plano foi considerada muito abaixo do esperado.

A negociação de André com o Milan era tratada internamente como fundamental para que o Corinthians conseguisse manter em dia os pagamentos do primeiro semestre. Os valores da operação giravam em torno de R$ 100 milhões.

Sem a conclusão da transferência, o clube precisou recorrer a empréstimos e antecipações de receitas para equilibrar as contas nos últimos meses. Nessas operações, foram oferecidas garantias contratuais que desagradaram a integrantes da equipe de reestruturação financeira e contribuíram para a saída dos coordenadores do núcleo.

META DE VENDAS DOBRA NOS BASTIDORES

Além disso, o Corinthians já acumula déficit aproximado de R$ 100 milhões neste início de temporada. O cenário que aumentou ainda mais a necessidade de negociação de atletas.

Diante do resultado financeiro até o momento, a avaliação interna é de que a meta de vendas de atletas precise praticamente dobrar, com o clube necessitando levantar cerca de R$ 300 milhões até o fim do ano. A previsão inicial era arrecadar R$ 151 milhões neste sentido em 2026.

Dentro do planejamento traçado pelo grupo de reestruturação financeira, a projeção era negociar de três a quatro jogadores sem reposição. A estratégia que também tinha como objetivo reduzir a folha salarial.

Na prática, porém, o cenário foi oposto: além de as vendas não acontecerem, a folha salarial aumentou com as contratações realizadas no início da temporada ?ainda que a maioria das chegadas tenha ocorrido sem custos de transferência, em operações por empréstimo ou com atletas livres no mercado.

CORTE DE GASTOS VIRA PRIORIDADE

Mesmo após a saída dos coordenadores do grupo de reestruturação financeira, a preocupação interna com contenção de despesas e geração de receitas segue forte no Corinthians. Até aliados políticos do presidente Osmar Stábile têm reforçado ao mandatário a necessidade de redução de gastos no futebol profissional.

Os setores mais visados são scout e departamento de saúde e performance. Ainda assim, existe a intenção de avaliar individualmente departamentos e profissionais antes de qualquer decisão definitiva.

Recentemente, o gerente de análise de mercado Renan Bloise e o coach Lulinha Tavares foram desligados do clube.

Além disso, a contratação de Gabriel Correa para a função de analista de mercado internacional faz parte da estratégia de diversificar as fontes de receita. A ideia é oferecer ao mercado atletas menos valorizados, jogadores fora da primeira prateleira do elenco e até ativos da base que não estejam dentro do perfil considerado ideal pelo Corinthians. O foco está em mercados alternativos fora do Brasil, como países da Ásia, Oriente Médio e Turquia.

STÁBILE QUER REATIVAR GRUPO FINANCEIRO

Enquanto isso, o presidente Osmar Stábile trabalha para retomar o grupo de reestruturação financeira com novos integrantes.

Os conselheiros Carlos Roberto de Mello e Heleno Maluf, que também integravam o coletivo, mas deixaram as funções após as saídas de André Recorder e Gabriel Diniz Abrão, já se colocaram à disposição para retornar em caso de reativação do grupo.