RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O caos instaurado no estádio Atanasio Girardot, que gerou o cancelamento da partida entre Independiente Medellín e Flamengo, nesta quinta-feira (7), pela quarta rodada do Grupo A da Libertadores, se deu muito em função dos atos de deboche do dono do clube, Raúl Giraldo, após a eliminação do clube no Campeonato Colombiano no último domingo.
O Medellín perdeu para o Águilas Doradas por 2 a 1 e não conseguiu ficar entre os oito que avançam à próxima fase.
Visivelmente alterado, Giraldo provocou a torcida com gestos confusos enquanto os jogadores de sua equipe tentavam contê-lo. De acordo com a imprensa colombiana, ele também teria ironizado mostrando notas de dinheiro.
Diante da repercussão negativa, o dirigente pediu desculpas no dia seguinte e anunciou sua renúncia como representante legal do Independiente Medellín. O comunicado foi feito através de uma nota oficial do clube.
A torcida, porém, não se deu por satisfeita e exigiu que Giraldo vendesse sua parte das ações. O protesto no jogo desta quinta-feira (7) foi organizado pela barra brava "Rexixtenxia Norte 1998", que já havia dado sinais do que viria pela frente.
Em nota em suas sociais após a partida de domingo, a organizada disparou contra Raúl Giraldo, dizendo que ele "humilhou e zombou" dos torcedores:
"Vá embora do Medellín! Ontem, depois de tantos fracassos consecutivos, ficou provado que você e sua diretoria desastrosa e miserável sabem comemorar derrotas. Pior ainda, você humilhou e zombou dos 12 mil torcedores que continuam demonstrando lealdade a esta gloriosa instituição, apesar de tudo. Chega! O que mais pode acontecer? O que aconteceu ficará marcado na história, Judas!"
ACUSAÇÕES DE 'CORPO MOLE' DO TIME E PROTESTOS TAMBÉM CONTRA CONMEBOL E FIFA
O foco principal era Raúl Giraldo, mas outros assuntos também alimentaram a onda de protestos da torcida do Independiente Medellín.
Muitos dos torcedores insinuaram que os jogadores fizeram "corpo mole" na final da Copa da Colômbia por causa de divergências em relação ao pagamento de premiações. A equipe ficou com o vice-campeonato ao ser derrotada pelo Atlético Nacional por 1 a 0.
Já durante os protestos desta quinta-feira (7), foram exibidas faixas contra a Conmebol ?que organiza a Libertadores- e a Fifa, entidade máxima do futebol mundial.
MEDELLÍN RECUSOU PORTÕES FECHADOS PARA JOGO COM FLAMENGO
As cenas de selvageria no estádio Atanasio Girardot poderiam ter sido evitadas. Isso porque autoridades sugeriram que a partida entre Independiente Medellín e Flamengo fosse realizada com portões fechados, mas o clube colombiano recusou a proposta.
Já ciente da possibilidade de protestos, a polícia local foi quem deu a sugestão de realizar o jogo sem a presença da torcida. O fato foi informado, inclusive, pelo próprio Independiente Medellín em nota oficial, em seu site, no último dia 5.
O clube colombiano justificou a decisão, entre outros fatores, alegando que "reconhecia a importância da presença de seus torcedores nesta fase do torneio".
"Durante a reunião do Comitê de Segurança, Convivência e Convivência do Futebol, realizada na terça-feira, 5 de maio, algumas das entidades participantes sugeriram ao clube a possibilidade de solicitar à Conmebol a realização da partida com portões fechados. O Deportivo Independiente Medellín decidiu não acatar essa solicitação, mantendo a partida com a presença de torcedores, em conformidade com os compromissos assumidos com os sócios-torcedores e reconhecendo a importância da presença de seus torcedores nesta fase do torneio", diz trecho da nota oficial do Independiente Medellín no último dia 5.
MODELO DO MEDELLÍN É PARECIDO COM O DAS SAFS NO BRASIL
O modelo de gestão do Independiente Medellín é parecido com o das SAFs no Brasil. Essa mudança legislativa na Colômbia, porém, ocorreu muito antes, mais precisamente em 2011, quando foi aprovada a Ley del Deporte (Ley 1445), que incentivou os clubes a se transformarem em sociedades anônimas na tentativa de sanar suas dívidas.
Raúl Giraldo assumiu como acionista majoritário em 2014 e, inicialmente, conseguiu dar um respiro econômico ao clube, além de ter conquistado três títulos: o Campeonato Colombiano de 2016 e as Copas da Colômbia de 2019 e 2020. A crise recente, porém, ruiu a relação com a torcida.
