SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Técnico do Corinthians, Fernando Diniz não quer perder jogadores na janela de transferências do meio do ano.

O UOL apurou que o treinador está satisfeito com o elenco que tem à disposição e, mesmo ciente do cobertor curto diante do acúmulo de jogos e competições, praticamente não faz pedidos por reforços.

A relação do atual comandante corintiano com a diretoria também é diferente da que existia com o antecessor, Dorival Júnior. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, Dorival era ainda mais intenso nas cobranças por contratações no dia a dia do que demonstrava publicamente. O cenário contribuiu para o desgaste entre o treinador e a direção alvinegra, culminando na troca de comando há pouco mais de um mês.

Na avaliação de Fernando Diniz, jogadores como Matheuzinho, Breno Bidon e Yuri Alberto, monitorados por clubes do exterior, tendem a se valorizar ainda mais caso mantenham sequência de trabalho sob seu comando.

DIRETORIA ADMITE NECESSIDADE DE VENDAS

Apesar da confiança do treinador na manutenção do grupo, a diretoria do Corinthians admite a necessidade de realizar vendas na janela do meio do ano.

As demonstrações financeiras do primeiro trimestre, divulgadas pelo clube nesta semana, apontam que a ausência de negociações de atletas no início da temporada foi um dos principais fatores para o déficit de R$ 131,6 milhões registrado entre janeiro e março. A decisão de não vender jogadores naquele período, porém, foi tratada internamente como estratégica para preservar o nível técnico da equipe no início da Libertadores.

O balancete também registra a expectativa da diretoria de arrecadar cerca de 25 milhões de euros (R$ 144,1 milhões, na cotação atual) líquidos na próxima janela de transferências.

Internamente, a avaliação é de que a venda de apenas um jogador importante seria suficiente para atingir a meta sem comprometer de forma significativa o projeto esportivo. Fernando Diniz, porém, entende que o impacto pode variar de acordo com a peça negociada.

Na visão do treinador, perdas consideradas pontuais podem provocar impacto técnico relevante no desempenho coletivo. Diniz usa como exemplo a saída do zagueiro Nino do Fluminense, após o título da Libertadores de 2023, período em que comandava a equipe carioca.

META PODE AUMENTAR NO MEIO DO ANO

Há ainda uma preocupação interna sobre a possibilidade de ampliação da meta de vendas na revisão orçamentária prevista para o meio do ano. O temor é que o objetivo de arrecadação com negociações de atletas passe dos atuais R$ 151 milhões para cerca de R$ 300 milhões, aumentando significativamente a necessidade de vendas.

Mesmo diante desse cenário, Fernando Diniz não pretende tomar decisões drásticas caso ocorram saídas importantes. O treinador, porém, evita garantir que o Corinthians conseguirá manter o atual nível de desempenho em caso de perdas relevantes no elenco. Desde sua chegada, o time soma apenas uma derrota em dez jogos, e Diniz demonstra confiança no potencial da equipe caso a base do grupo seja preservada.

A expectativa do treinador é aproveitar a parada para a Copa do Mundo para se reunir com a diretoria e o departamento de futebol e entender o planejamento para o restante da temporada. Internamente, a manutenção do elenco é vista como fundamental para que o Corinthians siga competitivo na briga por títulos até o fim do ano.