SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um homem de negócios da mídia. O perfil mais recente do pentacampeão Denílson não é ao acaso.

Prestes a comentar sua primeira Copa do Mundo na Globo, onde chegou há pouco mais de um ano e apresenta novo programa desde abril, o ex-jogador tem impulsionado sua carreira na comunicação nos últimos anos.

"As coisas mudaram, e nós -eu e meu estafe- entendemos que era importante ajustar as plataformas, comunicar em todas elas. Por isso o podcast e a presença nas redes sociais. A gente entendeu que tem geração que consome TV e outra que está na internet, e queremos nos comunicar com todas essas gerações", afirma Denílson em entrevista ao UOL.

AS MUDANÇAS NA CARREIRA

A nova rota de Denílson vem de anos: desde 2022 o ex-atleta comanda o Denílson Show, programa de entrevistas consolidado, com mais de 680 mil seguidores no Instagram e 960 mil no YouTube. No início de 2025, mudou-se para a Globo após 14 anos na Bandeirantes.

Agora, é uma das principais figuras da GE TV, onde apresenta o "Hexa Neles!" há um mês, além da atuação como um dos embaixadores brasileiros de La Liga.

Essas movimentações não são coincidências, nem ocorreram paralelamente. "É mais um projeto, uma coisa pensada. E entendendo o que estava acontecendo no mercado", diz o apresentador.

A comunicação está mais ampliada, não canalizada num lugar só, pondera: "Você não assiste só à TV hoje, não tem informação só na TV. Um exemplo: qualquer notícia que eu queira dar, não preciso ir até a Globo. Eu abro o meu celular e dou a notícia na hora".

MAIS DE UMA DÉCADA DE OBSERVAÇÃO

A entrada de Denílson na comunicação se deu em 2010, ao comentar a Copa da África do Sul na Band. Ali ficou até 2024, dividindo o Jogo Aberto com Renata Fan.

Apesar do perfil bem-humorado e de galhofa do programa de debates, ele relata que, para se aprimorar como comunicador, sempre estudou as entrevistas, as reações dos convidados e como tirar deles boas respostas.

"Foi um processo. Participei por muitos anos do Jogo Aberto e ali dava meus pitacos. Sempre fui um cara muito observador e, todas as vezes em que eu tinha a oportunidade, fazia minhas perguntas e sempre prestei muita atenção nas respostas de quem eu estou conversando. E isso foi se desenvolvendo com o tempo. Ficava observando de que forma os meus colegas interagiam com o convidado, e aí fui transferindo para o trabalho que eu venho fazendo nesta sexta-feira (15)", diz Denílson.

O QUE A SELEÇÃO DE 2002 PODE ENSINAR À DE 2026

Em 2026, a seleção brasileira chega a 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, o período mais longo desde a primeira conquista, em 1958. Parte do elenco campeão em 2002, Denílson aponta que o respeito entre os companheiros de equipe e à coletividade era o grande diferencial dos pentacampeões.

"A todos os jogadores de 2002 que você perguntar, vão falar sobre a questão do respeito que a gente tinha ao espaço do outro. A gente não tinha ali uma divergência. E, quando tinha, era tranquilo de se desculpar. É um ponto importante. O campo é o último passo. A construção antes de jogar futebol é o mais importante", avalia.

Para Denílson, o técnico Carlo Ancelotti se mostra capaz de criar esse ambiente para o atual elenco: "Acho que o Ancelotti, de alguma forma, está conseguindo trazer isso, esse lado mais coletivo, de união. Tomara que isso fique refletido dentro do campo."