SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Metade dos treinadores da elite do futebol brasileiro ainda não chegou a três meses no cargo.
Os dez técnicos em questão fecharam com seus clubes após fevereiro, ou seja, com a atual edição da Série A em andamento. Na outra metade da lista, apenas três têm mais de um ano de trabalho: Abel Ferreira (Palmeiras), Rogério Ceni (Bahia) e Rafael Guanaes (Mirassol).
"Um trabalho tem tempo de maturação. Você não forma o time em três semanas, em dois meses. Você começa a dar um desenho. Os grandes trabalhos da história do futebol brasileiro tiveram mais tempo: São Paulo do Telê, com o Muricy, o Santos com Lula, que era o Santos de Pelé, o Grêmio com o Renato [Gaúcho], com o Felipão", afirma PVC, colunista do UOL, que cita Jorge Jesus como exceção à regra.
Na Premier League, a efeito de comparação, 12 dos 20 treinadores têm pelo menos um ano de cargo - desses, oito estão há ao menos dois anos na função. "Pensar que em 16 rodadas de Campeonato Brasileiro caíram 11 técnicos, e que, em 36 rodadas na Inglaterra, caíram 10... é inacreditável. E o recorde lá foram 13", comenta o colunista.
Pep Guardiola, por exemplo, está no Manchester City desde 2016, e Mikel Arteta chegou ao Arsenal há seis anos. Mesmo sem títulos de maior relevância, Arteta foi mantido nos Gunners e nesta temporada disputa a liga nacional e a inédita Champions League.
NO BRASILEIRO, TRABALHOS LONGOS SÃO CONSISTENTES
Ainda que com altos e baixos, os quatro trabalhos mais longevos do país -incluindo Odair Hellmann, prestes a completar um ano pelo Athletico-PR- apresentam consistência nos resultados.
O Palmeiras de Abel conquistou, em cinco anos e meio, 11 títulos, sendo duas Libertadores e dois Campeonatos Brasileiros. Sob o comando de Rogério Ceni, o Bahia ganhou a Copa do Nordeste de 2025, o Estadual em duas oportunidades e assegurou duas vagas na Libertadores.
Rafael Guanaes chegou ao Mirassol em março de 2025, ano de estreia do time na Série A, e levou o time à Copa Libertadores -a primeira de sua história. Neste ano, teve um mau início no Brasileiro. Preservado no cargo, o Leão iniciou uma recuperação -com sete pontos nos últimos 12 disputados-, avançou contra o Bragantino na Copa do Brasil e lidera o Grupo G da Liberta.
Já Odair devolveu o Athletico-PR à elite do Brasileiro, onde ocupa o quinto lugar em 2026, e está nas oitavas da Copa do Brasil com o Furacão.
"Não é só o técnico. Um clube estruturado oferece estrutura para um técnico trabalhar. Precisa de condição para o trabalho, e isso vai levar a um trabalho mais consistente. Mais tempo de trabalho, mais resultado. Os grandes trabalhos são lembrados porque deram certo e ficaram mais tempo", pondera PVC.
OS RECÉM-CHEGADOS
Entre os dez comandantes recém-chegados à elite do futebol brasileiro, há quem chegou embalado e também aqueles cujas equipes já não estavam bem e pioraram de rendimento.
Fernando Diniz (Corinthians), Renato Gaúcho (Vasco) e Artur Jorge (Cruzeiro) são os que aproveitaram bem o curto período nas novas casas. Já Eduardo Domínguez, Cuca e Franclim Carvalho têm sofrido para melhorar o desempenho de Atlético-MG, Santos e Botafogo, respectivamente. Completam a lista Leonardo Jardim (Flamengo), Léo Condé (Remo) e Fabio Matías (Chapecoense).
O exemplo mais crítico foi o de Roger Machado, que chegou ao São Paulo em março, já pressionado, e, após a queda para o Juventude na Copa do Brasil, foi demitido com apenas 17 partidas.
Para o lugar de Roger foi escolhido Dorival Júnior, que treinará sua segunda equipe no Brasileirão. Em abril, ele foi dispensado pelo Corinthians, agora treinado por Diniz, que começou a competição no Vasco. "Três meses é período de experiência. Em três meses, o São Paulo vai para o terceiro técnico. É incrível", pontua PVC.
