SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As dívidas dos clubes da Série A e Série B de 2025 atingiram R$ 17,3 bilhões no ano passado, segundo o Relatório Convocados 2026, estudo anual sobre a indústria do futebol produzido por Convocados e OutField, com patrocínio Galapagos Capital. O número representa uma alta de 15% em relação a 2024.

A alta da dívida total foi influenciada diretamente pelas dívidas operacionais, que envolvem contas a pagar a federações, clubes, agentes, fornecedores, adiantamentos de TV e publicidade, salários e direitos de imagem.

No caso da alta do último ano, de R$ 6,9 bilhões em dívidas operacionais em 2024 a R$ 8,5 bilhões em 2025, ela se refere sobretudo ao aumento nos valores pagos por contratações de atletas.

Já os números de dívidas onerosas, como com instituições financeiras, mantiveram alguma estabilidade, com queda de R$ 3,6 bilhões para R$ 3,5 bilhões.

TRÊS GRANDES PUXAM A LISTA

Três clubes tradicionais do Brasileirão puxam a fila do valor das dívidas em 2025, representando 43% do total: Atlético-MG, Botafogo e Corinthians, com dívidas de R$ 2,63 bilhões, R$ 2,52 bilhões e R$ 2,46 bilhões, respectivamente.

Perguntado sobre os piores exemplos de gestão financeira no futebol brasileiro, Grafietti aponta justamente os três, além do Vasco da Gama.

"O Corinthians continua com dificuldade em crescer do ponto de vista estrutural; o Atlético, que consegue começar a mudar este ano e tem um processo de recuperação", afirma o economista.

"O exemplo do Botafogo mostra uma série de situações que fomos postergando no processo das SAFs: feito às pressas, com decisões questionáveis que se empilharam até estourar essa bomba de agora", pondera Pedro Oliveira, cofundador da OutField, e que faz parte da gestão do Coritiba e do Le Mans, um clube francês,

O QUE EXPLICA AS ALTAS DÍVIDAS DO TRIO

À reportagem, Grafietti aponta que, entre as dívidas de Botafogo, Corinthians e Galo, há nos dois últimos um fator de peso que torna ainda mais crítico o cenário: o financiamento da construção de suas arenas, que consome parte expressiva do endividamento dos dois clubes.

Contudo, prossegue, há a outra parcela da dívida, que se assemelha ao histórico de outros clubes endividados, decorrente de um descompasso operacional clássico.

"Gastos acima da capacidade real de geração de caixa, inflação salarial de elencos e contratações de atletas sem o devido lastro financeiro. A combinação entre investimentos pesados em infraestrutura imobilizada e descontrole nos custos operacionais do futebol cria esse cenário de asfixia."

Porém, pontua o economista, a situação do Corinthians não é tão destoante do mercado, ao se analisar a relação entre folha salarial e a receita do Alvinegro paulista -"problema reside no estoque acumulado de dívidas passadas e nos juros que essa estrutura consome mensalmente", completa.

Porém, no caso de Atlético e Botafogo, modelos de investimento mais agressivos nos últimos anos, a desproporção do custo do elenco em relação à receita foi de muito mais risco.

"O problema é que um título ou uma temporada de sucesso (como o Galo em 2021 ou Botafogo em 2024) não dobra a receita estrutural de um clube de forma permanente. O endividamento sem lastro cobra o seu preço em seguida. É o resultado prático de gestões que operaram no limite do risco fiscal", completa.