SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma campanha liderada pela organização de direitos humanos FairSquare busca reunir assinaturas em ação coletiva contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, às vésperas da Copa do Mundo. A iniciativa conta com o apoio da Federação Norueguesa de Futebol.
O QUE ACONTECEU
O movimento Reboot Fifa quer produzir a "maior denúncia que a Fifa já recebeu". A ideia é enviar ao Comitê de Ética da entidade máxima do futebol uma queixa sobre a conduta de sua alta cúpula junto a um pedido de investigação contra Infantino, logo após o fim do Mundial nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
Campanha foi lançada nesta quarta-feira e reúne assinaturas em site oficial. A peça de reclamação formal, organizada por um conselho de ativistas e cronistas esportivos, concentra insatisfações que vão de segurança e preços de ingressos a acusações de violação de direitos humanos.
ONG aponta quebra do dever de neutralidade política. De acordo com a FairSquare, Infantino teria descumprido quatro vezes o artigo 15 do Código de Ética da Fifa ?que exige isenção?, após participar de um Conselho da Paz promovido por Donald Trump e entregar ao presidente dos EUA o Prêmio de Paz criado pela entidade.
Grupo também lista medidas para aumentar fiscalização e transparência sobre o dinheiro distribuído pela Fifa a federações nacionais. Outra proposta é separar as áreas comercial e de regulação e governança dentro da entidade, para reduzir conflitos de interesse e reforçar o controle interno.
APOIO DA NORUEGA
Denúncia ganhou apoio formal da Federação Norueguesa de Futebol (NFF), que enviou uma carta ao Comitê de Ética da Fifa em defesa do pedido de investigação. A presidente da NFF, Lise Klaveness, disse ao jornal inglês The Guardian que pretende intensificar a cobrança após o Mundial.
Isso está causando algumas reações políticas. Porém, [a carta] foi enviada, e isso está resolvido. Vamos acompanhar, avançar, pedir reuniões e dar um impulso nisso assim que a Copa do Mundo terminar. Lise Klaveness, presidente da NFF, ao The Guardian
"Enviamos essa carta sozinhos", afirmou Klaveness em entrevista coletiva. A dirigente norueguesa foi questionada sobre um possível apoio de outras federações e declarou que não adiantaria nada pressioná-las politicamente.
Infantino já defendeu sua proximidade com Trump. "Objetivamente, ele merece. Ele foi fundamental para resolver conflitos e salvar milhares de vidas", disse o dirigente à Sky News após entrega de premiação ao líder norte-americano. Ele disse acreditar que a boa relação é fundamental para o sucesso do torneio deste mês.