RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A SAF Botafogo, o clube associativo e a Eagle Bidco fizeram nesta quarta-feira (03) uma assembleia geral extraordinária (AGE) que pacifica a discussão e formaliza um acordo para que o processo de recuperação judicial da SAF alvinegra siga em curso.
O documento foi assinado pelas três partes e contou com a totalidade dos votos possíveis na assembleia, considerando que 90% das ações da SAF pertencem à Eagle e os outros 10% são do associativo.
O presidente do clube social, João Paulo Magalhães, presidiu a assembleia. Eduardo Iglesias, gestor atual da SAF, foi o secretário. O advogado Daniel Calhman de Miranda representou a Eagle Bidco.
A recuperação judicial é fundamental para reforçar a tentativa na Fifa de derrubar os transfer bans contra o Botafogo que ainda estão em vigor. Atualmente, o clube tem cinco punições ativas, devido a dívidas com contratação de jogadores que não foram pagas.
Na ata, a qual o UOL teve acesso, ficou bem claro que a assembleia serviu para "ratificar a autorização concedida aos administradores da Companhia a realizar o pedido de recuperação judicial da Companhia no âmbito da Assembleia Geral Extraordinária da Companhia, realizada em 14 de maio de 2026".
O documento assinado pelas partes ainda reforça que os administradores da SAF tiveram a autorização ratificada para "a tomar as providências e praticar os atos necessários com relação à recuperação judicial", mesmo se outro acordo entre Eagle e SAF ? chamado de standstill ? for rescindido eventualmente.
O standstill é um acordo de paz firmado pelas duas partes para que nenhum dos lados peticione mais nos processos em vigor. Ele tem duração de 30 dias, podendo ser renovado por mais 30.
nesta terça-feira (02), a SAF estranhou uma petição que a Eagle fez no âmbito do processo de recuperação judicial, pedindo que este fosse negado. Mas depois as partes se entenderam e decidiram realizar a assembleia geral extraordinária desta quarta-feira (03).
A confirmação da continuidade da RJ via assembleia era algo tratado como crucial para a SAF, visando à redução do clima bélico com a Eagle e também uma demonstração pública de maior segurança jurídica do procedimento.
O Botafogo inseriu R$ 1,2 bilhão do seu passivo na recuperação judicial. Com isso, travou cobranças e execuções judiciais que vinha acumulando por causa dos gastos desenfreados na gestão de John Textor. Agora, o próximo passo é desenvolver o plano de pagamento aos credores.