RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Thais Fidelis recebe a medalha com um sorriso. No caminho obrigatório após a prova, passa por um corredor de jornalistas. Câmeras e microfones a aguardavam. Nas entrevistas, utilizou diversas vezes a expressão "muito feliz" ?como se precisasse traduzir o sentimento já estampado no rosto? e a palavra "resiliência" ao lembrar a trajetória até o pódio de momentos antes, no Campeonato Pan-Americano de Ginástica Artística.

O torneio aconteceu na Arena Carioca 1, no Rio de Janeiro. Naquele mesmo local, meses antes, Thais sentiu que deveria retornar à ginástica, modalidade da qual tinha se afastado por dois anos. Agora, busca pavimentar um caminho por uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028.

"Estou muito feliz, mesmo. Muito realizada. Agora, em 2026, em casa, com esse público maravilhoso, com o trabalho que a gente vem fazendo no Sesi... Mostra o quanto estamos no caminho certo e o quanto ainda temos a trabalhar. Para mim, é muito gratificante. [Foi] Muita resiliência também, de ter voltado da melhor forma possível", diz Thais Fidelis.

Thais já era um nome conhecido na ginástica brasileira ?em 2019, tinha se tornado a primeira brasileira em pódio de Copa no individual geral, com o bronze na etapa de Birmingham, na Inglaterra? quando, com apenas 21 anos, decidiu pausar a carreira.

Ela optou por se afastar da ginástica no fim de 2022. No ano anterior, à época pelo Pinheiros, havia passado por dois episódios que a fizeram reavaliar o rumo.

"Em junho de 2021, rompi o tendão de Aquiles. Em julho, perdi o meu irmão. Foram muitas coisas... E em 2022 eu fui empurrando com a barriga, mas eu já não estava mais feliz dentro do ginásio para treinar e competir. Eu amava ginástica, mas eu não queria estar ali, não era mais prazeroso. Terminei como pude e, no final do ano, decidi parar. Estava cansada física e psicologicamente", disse Thais.

O irmão de Thais teve uma pneumonia que gerou complicações. Acabou não resistindo a uma parada cardíaca.

Estudante de Educação Física, ela se manteve ligada à ginástica e passou a estagiar dando aulas no "Brasileirinhos", projeto de Daiane dos Santos,

"Conheci um pouco a parte do lado do treinador também. Participei mais de festivais de ginástica, mas já deu para sentir uma adrenalina diferente e como era estar do outro lado (risos)", falou.

Ao lado da mãe, Francisca, em junho de 2024, foi ao Rio de Janeiro assistir ao Troféu Brasil de especialistas. Na Arena Carioca 1, sentiu que deveria voltar.

"Vim assistir ao torneio, quando até foi feita a convocação para as Olimpíadas. Toda aquela emoção... Eu falei: 'aqui é o meu lugar'. Precisava voltar para a ginástica, que é o que eu amo, que faz meus olhos brilharem", lembra.

Thais voltou no ano passado, desta vez pelo Sesi-SP. A primeira competição foi o Troféu Brasil, ocasião em que conquistou o bronze nas barras assimétricas. No Pan-Americano, foi ao pódio três vezes, com a prata por equipe feminina e bronze na trave e no individual geral.

"Vejo o quanto essa pausa foi importante para mim. Voltar melhor, feliz, diferente, outra Thais. É uma realização, e muita gratidão e resiliência, depois de dois anos poder voltar, estar aqui e ter essa performance", afirma. "Isso mostra que o nosso trabalho está no caminho. Ter chegado aqui muito bem preparada para competir três dias intensos foi super importante. Mostra o quanto eu estou preparada. A medalha de trave é uma realização, e é minha primeira medalha no individual geral. Estou muito feliz", completou.