Três torcedores do Cruzeiro foram condenados pela Justiça pela morte de um torcedor do Atlético Mineiro durante um ataque a um ônibus de transporte coletivo, ocorrido em novembro de 2021, no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. As penas variam de 20 a 48 anos e seis meses de prisão, e os condenados foram encaminhados ao sistema prisional após a sentença.
O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (29), após atuação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Os réus, que à época integravam uma torcida organizada do Cruzeiro, foram condenados pelo homicídio qualificado de um jovem de 20 anos. Um deles também recebeu condenação por cinco tentativas de homicídio contra outros passageiros do coletivo.
As penas fixadas foram de 48 anos e seis meses de prisão para um réu de 25 anos, 24 anos para outro, de 28 anos, e 20 anos para o terceiro, de 24 anos.
Segundo a denúncia, o grupo armou uma emboscada após a vitória do Atlético sobre o Fluminense, no Mineirão. Sabendo que integrantes de uma torcida organizada rival retornariam ao Barreiro pela linha de ônibus 6350 (Vilarinho/Barreiro), os acusados interceptaram o coletivo e iniciaram o ataque utilizando pedras, barras de ferro, pedaços de pau, bolas de sinuca, artefatos explosivos caseiros e fogos de artifício.
De acordo com o processo, passageiros tentaram negociar a saída de idosos, crianças e pessoas que não tinham relação com torcidas organizadas, mas os agressores impediram a retirada e continuaram as agressões. O jovem de 20 anos, que não usava camisa de clube ou de torcida organizada, foi espancado e morreu após ser socorrido.
Os jurados reconheceram todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público, incluindo motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas, caracterizado pela emboscada, e uso de meio cruel no homicídio e em uma das tentativas de homicídio, em que houve utilização de fogo.
Os réus já haviam sido submetidos ao Tribunal do Júri anteriormente, mas os julgamentos foram anulados por decisão judicial devido a irregularidades processuais. Um quarto acusado teve o processo desmembrado e será julgado em outra oportunidade.
Após a condenação, a Justiça determinou o cumprimento imediato dos mandados de prisão, e os três condenados foram levados ao sistema prisional.