Lucas Soares Lucas Soares 28/07/2014

Vai fechar as portas, Botafogo?

Na última sexta-feira, 25 de julho, em uma reunião envolvendo dirigentes de 12 clubes de futebol e a presidente Dilma Rousseff, o mandatário do Botafogo, Maurício Assumpção, disse à presidente do Brasil que estuda a possibilidade de deixar de disputar o Campeonato Brasileiro da Série A, caso não haja liberação das verbas que estão sendo retidas atualmente pelo governo.

Segundo as informações que estão sendo veiculadas na imprensa, o Glorioso está fora do Ato Trabalhista desde 2013 e 100% da receita do clube tem sido penhorada para pagamento de dívidas. Também no ano passado, quando o clube vendeu o atacante Vitinho ao CSKA, da Rússia, todo a verba ficou retida pelo governo. O presidente do Botafogo afirma que o clube luta para voltar ao acordo que evita a penhora das receitas do clube e a grande aposta dele é o que haja a possibilidade do parcelamento da dívida dos clubes com a União.

Os dados são de um levantamento realizado pelo consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi, divulgados pelo Globoesporte.com, apontam que a dívida do clube carioca era de R$ 699,3 milhões no fim de 2013, aumentando em 24% em relação à 2011. O fato é preocupante por vários motivos.

A primeira coisa a se pensar é em qual o potencial do Botafogo para pagar suas contas. O clube, segundo a última pesquisa realizada pela PLURI Consultoria em janeiro de 2012, tinha 2,8 milhões de torcedores. Um número razoável, palpável caso a torcida abrace o clube na missão de sanar as dívidas.

Aí, ao meu ver, está o grande problema. Por mais que existam os torcedores, não vejo potencial e vontade neles para buscar uma solução. Explico: em 2012, contrataram um jogador de reconhecimento mundial, o holandês Clarence Seedorf. Era a faca e o queijo na mão para fidelizar o torcedor, explorar mais o marketing e ter estádios cheios. Nada disso adiantou e a dívida aumentou consideravelmente.

Há ainda um velho problema conhecido pelos botafoguenses. A ausência do Engenhão, fechado pela Prefeitura do Rio de Janeiro para obras, não permitindo ao clube a total exploração do espaço como forma de obter renda líquida suficiente, sem precisar dividir com consórcios, como acontece no Maracanã. Talvez este problema seja um grande empecilho na busca para arrecadar verbas necessárias para a sobrevivência do clube.

O fato ficou mais alarmante com a faixa em que os jogadores entraram em campo no clássico do último domingo, contra o Flamengo. São cinco meses de direitos de imagem atrasados, três meses na carteira e o Fundo de Garantia do Trabalhador Social (FGTS), que não é pago desde janeiro. Na ocasião, os atletas, com toda razão do mundo, afirmaram que estavam ali pelos torcedores e por serem profissionais.

Convenhamos: esse discurso de que jogador de futebol ganha muito bem e que o salário atrasado não faz diferença não cola! Essa é a profissão que eles escolheram, e merecem receber o que o clube que os contrata acha justo pagar. Se não cumprem com as obrigações, há a justiça ou mesmo a recusa a entrar em campo.

No entanto, a legislação brasileira blinda as péssimas administrações e o resultado tem que aparecer em campo. Se um clube não entra em campo, corre o risco de ser denunciado pelo Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e ser rebaixado, no tapetão. Logo, aqueles que não são pagos são, de certa forma, obrigados à comparecer ao estádio e entrar em campo. Não é permitido cruzar os braços, por exemplo.

Você, botafoguense, flamenguista, tricolor, vascaíno, cruzeirense, atleticano... Me responda: aceitaria continuar indo trabalhar com cinco meses de salário atrasado?


Lucas Soares é natural de Juiz de Fora, é jornalista formado pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora em dezembro de 2012 e apaixonado por futebol. Atualmente, é aluno de pós-graduação em Jornalismo Multiplataforma na Universidade Federal de Juiz de Fora, Repórter no portal Acessa.com e Editor-chefe do blog Flamengo em Foco. Já atuou em veículos impressos da cidade e como assessor de imprensa na PJF e na Câmara Municipal.

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