Matheus Brum Matheus Brum 20/10/2015

Alô, alô, Série B, aquele abraço!

matheusMesmo não sendo aquele torcedor fanático do Tupi, eu estava nervoso. Afinal de contas, pela segunda vez estávamos perto do tão sonhado acesso. Como todo torcedor, tenho minhas "superstições". Era o dia de invocar a misticidade do meu terço da sorte. Desde pequeno ele me acompanha, e até hoje, tem 100% de aproveitamento. Nenhuma partida em que eu o usei, o time na qual estava torcendo perdeu (ainda bem que não estava com ele no Brasil e Alemanha). Não há um motivo em especial para ter ele no meu lado. Quando sinto que sua presença é necessária, vou até a cabeceira do quarto, pego-o, e o enrolo no meu braço.

A partida dessa segunda, em Arapiraca, muito lembrou a que ocorreu há 366 dias, aqui em Juiz de Fora. Naquela ocasião, o Galo precisava de uma vitória simples para conseguir a classificação (perdeu para o Paysandu o primeiro jogo por 2 a 1). Mesmo com o apoio da torcida, que lotou o Mário Helênio, era nítido que os jogadores ficaram receosos em partirem para cima, e num lance de contra-ataque, ou naquela "bola vadia", sofrer um gol e deixar ruir o sonho do acesso. Deixou o jogo a "banho maria", e no final, acabou levando o tento que decretaria a permanência na terceira divisão. Em Arapiraca, o roteiro foi o mesmo, só que com papeis invertidos. Num gramado sofrível, o ASA não conseguiu se impor, e deixou tudo mais fácil para o alvinegro juizforano.

Os gols de Kaio Wilker e Marco Goiano tem um sabor especial, que vão muito além da conquista do acesso. O primeiro, chegou desconfiado do Democrata-GV, foi vaiado em várias partidas, perdendo seu posto entre os 11 titulares justamente para Marco Goiano. Este, que depois de um lance bizarro contra o Boa, foi duramente criticado por este que vos fala e toda a torcida Carijó, que não o queria mais vestindo a camisa do "Fantasma do Mineirão". Com o tempo, ganhou a confiança de Leston e fez uma segunda metade de Série C impecável, jogando muito. E para coroar a redenção, nada mais do que justo que o gol da Série B tenha saído com a sua canhota.

Mesmo a 1.800km de distância, os torcedores não deixaram de apoiar. A Praça Antônio Carlos tava lotada, respirando Tupi, assim como toda Juiz de Fora. Com certeza os atletas lá no Fumeirão, receberam essa energia positiva.

Mesmo com todos os problemas que a imprensa enfrentou, como a censura em alguns momentos, a diretoria merece algumas felicitações. A criação do site oficial, o programa sócio-torcedor e o Carijó Shop são demandas que há muito tempo eram necessárias e que podem ajudar ainda mais na massificação da cidade em torno do Tupi.

Para aqueles que pensam que o alvinegro de Santa Terezinha vai bater na B e voltar pra C, peço que espere. Agora é tempo de comemorar e saborear essa conquista. Não é hora de pensar no futuro. É o momento de se maravilhar com o presente. Afinal de contas, acabamos de vivenciar um momento histórico. Juiz de Fora, depois de tantos anos, figura entre as principais cidades do futebol brasileiro.

Outros destaques

1º - O Campeonato ainda não acabou. Em busca do inédito título da Terceira Divisão, o Tupi agora enfrente o Londrina, seu rival do Grupo B. O retrospecto não é nada favorável para o Galo, já que nas duas vezes que se encontraram nesse ano, o time de Juiz de Fora perdeu.

2º - Neymar como a única presença brasileira na lista da Fifa que concorrem a Bola de Ouro, e a ausência de Marta na lista feminina, evidenciam ainda mais a decadência do nosso futebol. É cada vez mais triste aceitar que deixamos de ter o protagonismo no nosso principal esporte.


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras", estagiário da Rádio CBN Juiz de Fora e editor e apresentador do programa Mosaico é nascido e criado em Juiz de Fora.

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Matheus Brum Matheus Brum 20/10/2015

Alô, alô, Série B, aquele abraço!

matheusMesmo não sendo aquele torcedor fanático do Tupi, eu estava nervoso. Afinal de contas, pela segunda vez estávamos perto do tão sonhado acesso. Como todo torcedor, tenho minhas "superstições". Era o dia de invocar a misticidade do meu terço da sorte. Desde pequeno ele me acompanha, e até hoje, tem 100% de aproveitamento. Nenhuma partida em que eu o usei, o time na qual estava torcendo perdeu (ainda bem que não estava com ele no Brasil e Alemanha). Não há um motivo em especial para ter ele no meu lado. Quando sinto que sua presença é necessária, vou até a cabeceira do quarto, pego-o, e o enrolo no meu braço.

A partida dessa segunda, em Arapiraca, muito lembrou a que ocorreu há 366 dias, aqui em Juiz de Fora. Naquela ocasião, o Galo precisava de uma vitória simples para conseguir a classificação (perdeu para o Paysandu o primeiro jogo por 2 a 1). Mesmo com o apoio da torcida, que lotou o Mário Helênio, era nítido que os jogadores ficaram receosos em partirem para cima, e num lance de contra-ataque, ou naquela "bola vadia", sofrer um gol e deixar ruir o sonho do acesso. Deixou o jogo a "banho maria", e no final, acabou levando o tento que decretaria a permanência na terceira divisão. Em Arapiraca, o roteiro foi o mesmo, só que com papeis invertidos. Num gramado sofrível, o ASA não conseguiu se impor, e deixou tudo mais fácil para o alvinegro juizforano.

Os gols de Kaio Wilker e Marco Goiano tem um sabor especial, que vão muito além da conquista do acesso. O primeiro, chegou desconfiado do Democrata-GV, foi vaiado em várias partidas, perdendo seu posto entre os 11 titulares justamente para Marco Goiano. Este, que depois de um lance bizarro contra o Boa, foi duramente criticado por este que vos fala e toda a torcida Carijó, que não o queria mais vestindo a camisa do "Fantasma do Mineirão". Com o tempo, ganhou a confiança de Leston e fez uma segunda metade de Série C impecável, jogando muito. E para coroar a redenção, nada mais do que justo que o gol da Série B tenha saído com a sua canhota.

Mesmo a 1.800km de distância, os torcedores não deixaram de apoiar. A Praça Antônio Carlos tava lotada, respirando Tupi, assim como toda Juiz de Fora. Com certeza os atletas lá no Fumeirão, receberam essa energia positiva.

Mesmo com todos os problemas que a imprensa enfrentou, como a censura em alguns momentos, a diretoria merece algumas felicitações. A criação do site oficial, o programa sócio-torcedor e o Carijó Shop são demandas que há muito tempo eram necessárias e que podem ajudar ainda mais na massificação da cidade em torno do Tupi.

Para aqueles que pensam que o alvinegro de Santa Terezinha vai bater na B e voltar pra C, peço que espere. Agora é tempo de comemorar e saborear essa conquista. Não é hora de pensar no futuro. É o momento de se maravilhar com o presente. Afinal de contas, acabamos de vivenciar um momento histórico. Juiz de Fora, depois de tantos anos, figura entre as principais cidades do futebol brasileiro.

Outros destaques

1º - O Campeonato ainda não acabou. Em busca do inédito título da Terceira Divisão, o Tupi agora enfrente o Londrina, seu rival do Grupo B. O retrospecto não é nada favorável para o Galo, já que nas duas vezes que se encontraram nesse ano, o time de Juiz de Fora perdeu.

2º - Neymar como a única presença brasileira na lista da Fifa que concorrem a Bola de Ouro, e a ausência de Marta na lista feminina, evidenciam ainda mais a decadência do nosso futebol. É cada vez mais triste aceitar que deixamos de ter o protagonismo no nosso principal esporte.


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras", estagiário da Rádio CBN Juiz de Fora e editor e apresentador do programa Mosaico é nascido e criado em Juiz de Fora.

Matheus Brum Matheus Brum 20/10/2015

Alô, alô, Série B, aquele abraço!

matheusMesmo não sendo aquele torcedor fanático do Tupi, eu estava nervoso. Afinal de contas, pela segunda vez estávamos perto do tão sonhado acesso. Como todo torcedor, tenho minhas "superstições". Era o dia de invocar a misticidade do meu terço da sorte. Desde pequeno ele me acompanha, e até hoje, tem 100% de aproveitamento. Nenhuma partida em que eu o usei, o time na qual estava torcendo perdeu (ainda bem que não estava com ele no Brasil e Alemanha). Não há um motivo em especial para ter ele no meu lado. Quando sinto que sua presença é necessária, vou até a cabeceira do quarto, pego-o, e o enrolo no meu braço.

A partida dessa segunda, em Arapiraca, muito lembrou a que ocorreu há 366 dias, aqui em Juiz de Fora. Naquela ocasião, o Galo precisava de uma vitória simples para conseguir a classificação (perdeu para o Paysandu o primeiro jogo por 2 a 1). Mesmo com o apoio da torcida, que lotou o Mário Helênio, era nítido que os jogadores ficaram receosos em partirem para cima, e num lance de contra-ataque, ou naquela "bola vadia", sofrer um gol e deixar ruir o sonho do acesso. Deixou o jogo a "banho maria", e no final, acabou levando o tento que decretaria a permanência na terceira divisão. Em Arapiraca, o roteiro foi o mesmo, só que com papeis invertidos. Num gramado sofrível, o ASA não conseguiu se impor, e deixou tudo mais fácil para o alvinegro juizforano.

Os gols de Kaio Wilker e Marco Goiano tem um sabor especial, que vão muito além da conquista do acesso. O primeiro, chegou desconfiado do Democrata-GV, foi vaiado em várias partidas, perdendo seu posto entre os 11 titulares justamente para Marco Goiano. Este, que depois de um lance bizarro contra o Boa, foi duramente criticado por este que vos fala e toda a torcida Carijó, que não o queria mais vestindo a camisa do "Fantasma do Mineirão". Com o tempo, ganhou a confiança de Leston e fez uma segunda metade de Série C impecável, jogando muito. E para coroar a redenção, nada mais do que justo que o gol da Série B tenha saído com a sua canhota.

Mesmo a 1.800km de distância, os torcedores não deixaram de apoiar. A Praça Antônio Carlos tava lotada, respirando Tupi, assim como toda Juiz de Fora. Com certeza os atletas lá no Fumeirão, receberam essa energia positiva.

Mesmo com todos os problemas que a imprensa enfrentou, como a censura em alguns momentos, a diretoria merece algumas felicitações. A criação do site oficial, o programa sócio-torcedor e o Carijó Shop são demandas que há muito tempo eram necessárias e que podem ajudar ainda mais na massificação da cidade em torno do Tupi.

Para aqueles que pensam que o alvinegro de Santa Terezinha vai bater na B e voltar pra C, peço que espere. Agora é tempo de comemorar e saborear essa conquista. Não é hora de pensar no futuro. É o momento de se maravilhar com o presente. Afinal de contas, acabamos de vivenciar um momento histórico. Juiz de Fora, depois de tantos anos, figura entre as principais cidades do futebol brasileiro.

Outros destaques

1º - O Campeonato ainda não acabou. Em busca do inédito título da Terceira Divisão, o Tupi agora enfrente o Londrina, seu rival do Grupo B. O retrospecto não é nada favorável para o Galo, já que nas duas vezes que se encontraram nesse ano, o time de Juiz de Fora perdeu.

2º - Neymar como a única presença brasileira na lista da Fifa que concorrem a Bola de Ouro, e a ausência de Marta na lista feminina, evidenciam ainda mais a decadência do nosso futebol. É cada vez mais triste aceitar que deixamos de ter o protagonismo no nosso principal esporte.


Matheus Brum nascido e criado em Juiz de Fora, jornalista em formação pela Universidade Federal de Juiz de Fora, e desde criança, apaixonado pelo Flamengo e por esportes. Atualmente é escritor do blog "Entre Ternos e Chuteiras", estagiário da Rádio CBN Juiz de Fora e editor e apresentador do programa Mosaico é nascido e criado em Juiz de Fora.