A violência psicológica contra mulheres — marcada por humilhações, manipulação e controle — ainda é uma das formas mais silenciosas e difíceis de identificar, mas seus efeitos podem ser tão devastadores quanto os da violência física. Diante desse cenário, um evento gratuito marcado para o dia 6 de maio, em Juiz de Fora, propõe ampliar o debate e conscientizar a população sobre práticas que seguem naturalizadas no cotidiano.
A discussão integra a programação acadêmica da semana dos cursos universitários da Estácio e vai reunir estudantes, profissionais e mulheres interessadas em compreender melhor o tema. Com início às 19h, na sala 417, o encontro terá como foco a violência psicológica sob duas perspectivas complementares: a psicologia e o direito.
De acordo com a jornalista, doutora em Ciências Sociais e coordenadora do projeto Mulheres Empreendedoras e Empoderadas (MEE), Tâmara Lis, a escolha do tema surgiu a partir de uma inquietação das próprias alunas. “O assunto foi sugerido por estudantes da Escola Universitária de Pensamento Criativo e Gestão do Conhecimento, que neste semestre estão em contato com disciplinas como psicologia aplicada ao cotidiano e comunicação contemporânea. Esses conteúdos despertam um olhar mais crítico para questões urgentes como essa”, explica.
A violência psicológica é caracterizada por qualquer conduta que cause dano emocional, diminua a autoestima ou comprometa o desenvolvimento da mulher, além de ações que busquem controlar comportamentos, crenças e decisões. Entre os exemplos mais comuns estão ameaças, constrangimentos, humilhações, isolamento social, vigilância constante, chantagem e manipulação — incluindo práticas como o chamado “gaslighting”, quando há distorção de fatos para fazer a vítima duvidar da própria memória e sanidade.
Segundo análise publicada pela BBC News Brasil, esse tipo de violência costuma ser invisibilizado justamente por não deixar marcas físicas, o que dificulta a denúncia e o reconhecimento por parte das vítimas. Ainda assim, seus impactos podem incluir ansiedade, depressão, perda de identidade e dependência emocional. O evento contará com a participação da psicóloga e psicanalista Valéria Wanda Fonseca e da advogada Fernanda Mathiasi, que irão abordar o tema sob diferentes enfoques, ampliando a compreensão sobre os aspectos emocionais e legais envolvidos.
Aberto ao público, o encontro pretende não apenas informar, mas também provocar reflexão e incentivar o reconhecimento de comportamentos abusivos ainda normalizados nas relações. A iniciativa reforça a importância de discutir o tema de forma acessível e interdisciplinar, criando espaços de escuta e orientação para mulheres que, muitas vezes, não identificam que estão vivendo situações de violência.
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