sobre uma única pessoa. Sem divisão de tarefas ou pausas reais, essa mulher precisa sustentar a rotina, tomar decisões e oferecer suporte emocional aos filhos enquanto lida, sozinha, com o próprio cansaço e suas angústias. Nesse contexto, a sobrecarga não é apenas prática, é também psíquica. O descanso pode vir acompanhado de culpa, o erro parece não ter espaço e a sensação de insuficiência pode se tornar constante. Soma-se a isso uma pressão social contraditória: exige-se força e autonomia, mas julgam-se as escolhas, os limites e até as falhas”, pontua Lillian Black, psicóloga e professora do curso de Psicologia da Estácio.
Um outro aspecto delicado, e muitas vezes silencioso, é o sentimento de culpa pela ausência da figura paterna.
“Muitas mães internalizam a ideia de que falharam em suas escolhas ou que são responsáveis por essa ausência, carregando um peso emocional que intensifica ainda mais a sobrecarga. Trabalhar esse sentimento é fundamental, pois essa culpa, quando não elaborada, tende a gerar exaustão, autocrítica excessiva e sofrimento psíquico desnecessário”, alerta a especialista, reforçando que reconhecer essa realidade é essencial para romper com a lógica de que é preciso dar conta de tudo sozinha. Diminuir a sobrecarga passa também por legitimar limites e elaborar culpas que não precisam ser carregadas, abrindo caminho para uma vivência mais possível e menos solitária da maternidade”, conclui.
Por fim, a psicóloga Nina, professora do curso de Psicologia da Estácio, se utiliza de um provérbio africano que diz: ‘é necessário uma aldeia inteira para educar uma criança’. “Então, que nesse Dia das Mães, todo mundo que cerca essa mãe possa se lembrar disso. Da sua responsabilidade nessa coletividade, nessa aldeia. A maternidade não é e não deve ser um exercício solitário, muito pelo contrário, para ela se dar, é preciso da entrada do outro, dos outros. Então, você que está por perto seja presença na maternidade de alguém”, finaliza.
