SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O homicídio de uma mulher perseguida durante anos por seu suposto assassino causou indignação e demandas por mudanças na legislação de proteção às mulheres na Coreia do Sul, informa o jornal The Korea Herald.

O crime ocorreu na semana passada --um dia antes do julgamento do agressor, identificado pela polícia como Jeon Joo-hwan, de 31 anos, pelo crime de perseguição, popularizado por sua expressão em inglês, stalking.

De acordo com a imprensa local, a mulher, de 28 anos, foi esfaqueada várias vezes no banheiro da estação de metrô de Sindang, no centro de Seul, depois de terminar seu turno de trabalho no local. Ela conseguiu acionar um alarme e chegou a ser levada a um hospital, mas morreu em decorrência dos ferimentos. Já o agressor foi contido por funcionários da estação e encaminhado à polícia.

O suspeito e a vítima tinham se conhecido em 2019, quando ambos começaram a trabalhar no metrô da capital coreana. Desde então, Jeon teria ligado para ela centenas de vezes implorando por um encontro e chantageando-a em caso de uma negativa, além de ter filmado a mulher sem a sua permissão.

A insistência fez com que ele fosse demitido do metrô e indiciado pelo crime de stalking duas vezes nos últimos três anos --em uma delas, chegou a ser preso, mas foi solto sob fiança. Segundo o Korea Herald, a vítima estava sob proteção remota da polícia, mas isso não impediu Jeon de se aproximar de sua casa ou de seu local de trabalho.

Jeon alega que a morte da vítima foi resultado de uma ação impulsiva, mas a polícia afirma que há indícios de que ele vinha planejando o crime há pelo menos 11 dias.

O caso levou parte da população sul-coreana a acusar o governo de não levar a sério a violência contra as mulheres no país --cerca de 80% das vítimas de stalking no país asiático são do gênero feminino.

A mobilização gerou frutos. O Ministério da Justiça anunciou nesta sexta (23) uma mudança na lei anti-stalking para permitir que perseguidores sejam denunciados sem a autorização das vítimas --a exigência de consentimento era vista por ativistas como problemática, já que perseguidores poderiam pressionar suas vítimas a não prestar queixas.

O presidente Yoon Suk-yeol também ordenou no mesmo dia novas medidas de prevenção contra crimes do tipo. O líder havia defendido durante a sua campanha a abolição do Ministério da Igualdade de Gênero e da Família, que segundo ele teria durado mais tempo do que os problemas históricos que buscava solucionar.

Ainda assim, o incidente elevou a pressão para um endurecimento ainda maior da lei. A pressão é corroborada por novas evidências, como um relatório recente da Universidade Nacional de Polícia da Coreia que afirma que quase quatro a dez assassinatos cometidos por parceiros das vítimas foram antecedidos por stalking.

O Brasil transformou a prática de perseguição em crime no mesmo ano que a Coreia do Sul.