SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (31) que seu governo está retirando a Guarda Nacional de Chicago, Los Angeles e Portland, mas acrescentou que as forças federais voltarão "quando a criminalidade começar a disparar novamente".

Segundo ele, a decisão se deu "apesar do fato de que a criminalidade foi bastante reduzida graças à presença desses grandes patriotas nessas cidades, e SOMENTE por esse fato". O presidente já havia usado o suposto aumento no número de crimes como justificativa para os envios, mas não apresentou dados que comprovassem o alto patamar ou, com a retirada desta quarta, a queda relatada.

Trump enviou agentes da Guarda Nacional para cidades governadas por democratas em um movimento que críticos avaliam como uma tentativa de punir adversários e reprimir dissidência. Ao ameaçar uma volta "talvez de uma forma muito diferente e mais forte", o presidente a defendeu como "apenas uma questão de tempo".

O republicano e seus aliados descreveram cidades lideradas pelo Partido Democrata como sem lei, devastadas pelo crime e atormentadas por protestos vastos e violentos. Seu governo afirmou, no momento do envio, que as tropas seriam necessárias para proteger propriedades e funcionários federais.

Prefeitos e governadores democratas, junto com outros críticos de Trump, disseram que essas afirmações são um relato falso da situação e um pretexto para enviar tropas, acusando o republicano de abusar de seu poder.

No início do mês, um juiz já havia ordenado que o governo federal retirasse as tropas da cidade de Los Angeles. Naquele momento, Charles Breyer determinou que o governo federal devolvesse o controle da Guarda Nacional ao governador da Califórnia, Gavin Newsom. A Força é organizada e mantida por cada estado dos EUA, mas pode ser mobilizada pelo presidente em caso de invasão ou rebelião contra o governo.

Em junho, em meio aos protestos causados pelas operações do ICE, Trump tomou controle da Guarda Nacional da Califórnia e enviou 4.000 soldados a Los Angeles. Em julho, retirou 2.000 militares, e reduziu a presença nos meses seguintes até chegar a cerca de cem. O governo da Califórnia processou a Casa Branca em uma tentativa de encerrar a mobilização, medida que agora teve sucesso.

Em agosto deste ano, o presidente já havia ordenado o envio de tropas para a capital Washington, junto com a tomada de controle da polícia local. Segundo Trump, o objetivo era combater uma suposta criminalidade excessiva.

À época, o republicano disse que o crime na cidade estava "fora de controle", apesar de dados mostrarem queda nos indicadores de violência nos últimos 30 anos.