SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, nomeou nesta sexta-feira (2) o general Kirilo Budanov, comandante da inteligência militar ucraniana, como novo chefe de gabinete da Presidência. Budanov substituirá o ex-braço direito de Zelenski, Andii Iermak, que perdeu o cargo em novembro depois de ser acusado de envolvimento em um escândalo de corrupção que abalou o governo do país em guerra.
Iermak foi alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito do inquérito que investiga o suposto desvio de pelo menos US$ 100 bilhões (R$ 543 bilhões) do setor de energia. O escândalo também derrubou os ministros de Energia e Justiça. Até aqui, Iermak não foi formalmente acusado de nenhum crime.
Ao anunciar o novo chefe de gabinete, Zelenski disse em nota que "a Ucrânia precisa de maior foco em questões de segurança, desenvolvimento das Forças Armadas, e nas negociações diplomáticas. O gabinete da Presidência trabalhará para completar essas tarefas". "Kirilo tem ampla experiência nessas áreas e a força necessária para entregar resultados", afirmou o presidente.
Budanov, 39, é comandante do setor de inteligência do Exército ucraniano desde 2020. Ao longo da guerra com a Rússia, ele coordenou uma série de operações especiais, incluindo trocas de prisioneiros com Moscou.
Iermak, 54, é amigo de Zelenski, 47, desde que o presidente era um comediante que fez carreira nas TVs russa e ucraniana. As duas agências anticorrupção que investigam Iermak, o Escritório Nacional Anticorrupção e a Procuradoria especializada Anticorrupção, tinham sido objeto de polêmica em junho.
Zelenski tentou tirar o poder delas de investigar pessoas em altos cargos, caso de Iermak, o que levou aos primeiros grandes protestos de rua contra o presidente desde que Vladimir Putin invadiu seu país, em fevereiro de 2022.
Pressionado em casa e pelos aliados, que doaram cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 8 trilhões) para o esforço de guerra até agora e querem saber para onde vai o dinheiro, o presidente recuou da proposta.