SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Rússia condenou a ação militar dos EUA na Venezuela neste sábado (3), afirmando que não havia justificativa para o ataque e que a "hostilidade ideológica" prevaleceu sobre a diplomacia.
"Na manhã de hoje, os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável", disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado. "A hostilidade ideológica triunfou sobre o pragmatismo dos negócios", acrescentou Moscou, afirmando também que a América Latina deve permanecer uma "zona de paz".
O presidente americano Donald Trump afirmou neste sábado que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados após ataque à Venezuela. O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma "agressão militar" dos EUA após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, o país declarou estado de emergência.
Em comunicado de seu Ministério das Relações Exteriores, a Espanha se ofereceu como negociadora para ajudar a encontrar uma solução pacífica na Venezuela.
O Irã, aliado de Caracas, também condenou o ataque militar dos EUA à Venezuela, classificando-o de "uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial" e pedindo que o Conselho de Segurança da ONU "aja imediatamente para interromper a agressão ilegal".
O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha disse que observa a situação na Venezuela com grande preocupação. Um texto escrito obtido pela agência de notícia Reuters disse que o ministério está em contato próximo com a embaixada em Caracas e que uma equipe de crise se reunirá mais tarde neste sábado.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, pediu moderação na Venezuela e afirmou que conversou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o embaixador do bloco europeu em Caracas. "A UE está monitorando de perto a situação na Venezuela", escreveu em seu perfil no X.
"A UE repetidamente declarou que o Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta da ONU devem ser respeitados", disse Kallas.
Na América Latina, a única reação de apoio ao ataque até agora veio do presidente da Argentina, Javier Milei, em declaração no X: "A liberdade avança. Viva a liberdade, c?".
O líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, escreveu que o país "exige uma reação urgente da comunidade internacional contra o ataque criminoso dos EUA à Venezuela. Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América".
"Condenamos veementemente o bombardeio dos EUA à Venezuela. Trata-se de um ato brutal de agressão imperial que viola sua soberania. Nossa total solidariedade ao povo venezuelano em sua resistência", afirmou o ex-presidente da Bolívia Evo Morales em suas redes sociais.