SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O assalto dos Estados Unidos à Venezuela neste sábado (3), que Donald Trump disse ter resultado na captura do ditador Nicolás Maduro, foi o ponto culminante de uma operação de guerra sem precedentes que vinha sendo montada havia meses no Caribe.

As informações sobre os recursos empregados ainda são escassas, assim como o real escopo do ataque, mas na era da comunicação instantânea as imagens gravadas por moradores de Caracas e outros pontos atingidos pelos EUA dão pistas claras do que aconteceu.

A julgar pelos inúmero vídeos disponíveis, a ação combinou o emprego de fogo aéreo de longa distância e forças especiais apoiadas por ataques de helicópteros a curta distância. À primeira vista, não configura uma invasão, e sim uma operação de supressão de defesa aérea e de exfiltração de alvos ?Maduro e sua mulher.

A primeira onda foi composta presumivelmente por mísseis disparados de caças F/A-18 do porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, e talvez de aviões de quinta geração F-35 baseados em Porto Rico.

No território americano fica a antiga base de Roosevelt Roads, que estava desativada havia duas décadas. Ela rapidamente se transformou no centro de comando principal da mais poderosa armada montada na região na história ?outras ações, como a captura do panamenho Manoel Noriega em 1989, também mobilizaram recursos expressivos, mas nada parecido em poder de fogo.

Podem ter sido acionados bombardeiros estratégicos B-52 e B1-B, voando a partir dos EUA. As forças de Trump treinaram diversas incursões com essas máquinas, que disparam suas armas bem distantes do alcance do fogo inimigo, nos meses que precederam o ataque deste sábado.

Não fica claro se mísseis Tomahawk, armas de primeiro ataque presentes em pelo menos nove embarcações na região, foram utilizados. Houve muitas explosões relatadas em bases militares em Caracas e arredores, mas não só.

Em Higuerote (norte), uma enorme explosão seguida por estouros secundários no aeroporto local sugere que foi atingido um sistema de mísseis antiáereos da Venezuela, provavelmente os mais capazes deles, S-300 de fabricação russa.

Em Caracas, uma das imagens mais impressionantes era a do que parecia ser um helicóptero de ataque AH-64 Apache disparando mísseis Hellfire contra o Forte Tiuna, o comando central das Forças Armadas do país.

O aparelho tem um alcance de menos de 500 km, o que sugere que ele chegou lá a partir de algum dos navios e não da vizinha Trinidad e Tobago, que sediou exercícios de forças especiais americanas em novembro mas fica a 650 km da capital venezuelana.

Comparável a ela eram as silhuetas, no escuro, de helicópteros MH-60 Black Hawk e CH-47 Chinook, que haviam sido avistados no país vizinho. Os aparelhos voavam impunemente, dada a destruição de baterias antiaéreas e o provável uso de caças de guerra eletrônica EA-18G Growler para desabilitar radares defensivos.

Eles são a marca registrada de assaltos de forças especiais, que segundo Trump já operavam infiltradas na Venezuela havia meses.

Sua base de operações é o navio M/V Ocean Trader, na prática um porta-helicópteros e centro de comando. O transporte é feito pelo 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais, unidade do Exército que dá apoio a missões de fuzileiros navais e outros pelo mundo.

Já o time em solo costuma ser uma equipe dos Seals, a elite da Marinha americana. A ação mais famosa da história recente do grupo foi em 2011, quando matou o líder terrorista Osama bin Laden em um esconderijo no Paquistão

As forças venezuelanas prometem resistir, mas se não houver presença militar americana após a captura de Maduro, seus recursos são bastante limitados. Pode haver tentativas de atacar navios americanos com mísseis russos ou chineses à disposição do regime.

Isso é incerto agora, dada a decapitação da ditadura e a demonstração de força contra suas unidades militares. Há também um fator vital: os gritos de celebração ouvidos em Caracas quando Trump anunciou a captura de Maduro.