SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou por quase uma hora, em entrevista a jornalistas em Mar-a-Lago, sobre a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, neste sábado (3).
Entre os pontos, o republicano afirmou que os Estados Unidos vão governar a Venezuela até a transição, disse que María Corina Machado, a principal opositora de Maduro e vencedora do Nobel da Paz, teria dificuldade em governar e declarou que petroleiras americanas devem entrar no país, injetar dinheiro e consertar o que chamou de péssima infraestrutura do setor.
A seguir, veja os 11 principais pontos da fala do presidente americano:
1. 47 segundos para captura
O presidente americano disse que Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, sob custódia em um navio militar americano no Caribe, serão enviados para Nova York, onde responderão à Justiça americana por crimes como narcoterrorismo e tráfico de drogas.
Durante entrevista, ele afirmou que a captura levou 47 segundos, que Maduro tentou fechar a porta do local em que estava, mas não conseguiu. "Foi muito difícil, ele chegou até a porta, mas não conseguiu fechá-la", disse Trump.
2. Petróleo
O presidente disse que a economia da Venezuela está um fracasso e disse que grandes empresas americanas entrarão no país, investirão bilhões e consertarão a infraestrutura petrolífera a fim de gerar lucro para a Venezuela.
Trump disse que, com a entrada de empresas americanas, a economia deve voltar a fluir. E ainda parodiou o próprio slogan ao dizer: "Vamos fazer a Venezuela grande novamente."
3. Momento da prisão
Trump afirmou que assistiu ao momento em que Maduro foi preso e descreveu a cena para jornalistas.
"Ele estava em um lugar altamente seguro, uma casa, que era como em uma fortaleza, com portas de aço, uma área segura. Eu assisti, literalmente, como se estivesse assistindo a um programa de TV. Se você tivesse visto a velocidade, a violência, como isso aconteceu. Foi um trabalho maravilhoso."
4. Segundo ataque
O republicano disse que um segundo ataque foi arquitetado. "Um ataque muito maior", disse o presidente, que emendou que isto provavelmente não será necessário, uma vez que esta invasão já atingiu o objetivo de capturar o ditador.
5. Futuro da Venezuela
Em relação ao futuro da Venezuela, o americano disse que os Estados Unidos vão governar o país para garantir uma transição "adequada e justa". Trump afirmou que há pessoas da sua equipe já encarregadas disso, mas não detalhou como deve ser realizada esta tomada do governo.
"Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos. Temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela", afirmou.
Questionado, descartou a possibilidade de a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, tomar o poder por seu alinhamento ao ditador, mas disse que está negociando com ela, bem como o secretário de Estado Marco Rubio, chefe da diplomacia americana. Segundo Trump, Delcy estaria "disposta a fazer o que for preciso".
6. María Corina Machado
Trump foi questionado sobre a líder da oposição da Venezuela e prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, mas disse que não falou com ela. Segundo ele, seria muito difícil que Corina liderasse o país porque, apesar de "muito simpática", ela não tem o respeito da população.
A venezuelana dedicou a Trump o prêmio pelo qual o presidente americano fez campanha ostensiva a despeito de seu comportamento belicista.
7. Doutrina Monroe
O presidente reiterou durante o pronunciamento que nenhuma nação vai ameaçar a soberania dos Estados Unidos.
"Ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério", disse Trump, citando a Doutrina Monroe, que determina que Washington domine a América Latina como poder hegemônico da região.
"Essas são as leis de ferro que sempre determinaram o poder no mundo, e presidentes anteriores podem não ter tido coragem de proteger nossos cidadãos, mas eu sempre o farei."
8. Ameaça à Colômbia
Trump foi questionado sobre uma de suas falas acerca do presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Na ocasião, ele afirmou que o líder esquerdista deveria "ficar esperto", mas usou para isso uma expressão chula do inglês ("watch his ass").
Petro condenou o ataque americano a Caracas. Trump afirmou que mantém a afirmação anterior e também voltou a acusar o colombiano. "Ele está fazendo cocaína e mandando para os Estados Unidos. Ele tem que mesmo que ficar esperto", disse Trump.
9. Indiciamento
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que Maduro teve inúmeras oportunidade para evitar a operação que levou à sua captura e confirmou que o ditador venezuelano é indiciado pelos mesmos crimes de 2020.
"Maduro não era o presidente legítimo da Venezuela, como já foi dito por Trump em sua primeira administração, pela administração de Joe Biden, por líderes na Europa", disse. "No fim do dia, foi apenas a prisão de duas pessoas procuradas pelos EUA."
10. Operação em números
O chefe do Estado-maior dos EUA, o general Dan Caine, disse que a operação contou com 150 aviões militares e que ocorreu de forma "precisa e discreta".
11. Cuba
Perto do fim da entrevista, Trump afirmou que Cuba pode voltar a negociar com os Estados Unidos. Ele afirma que tem como objetivo apoiar a população cubana e também aqueles que deixaram o país.
"Cuba é algo sobre o qual acabaremos falando. Queremos ajudar o povo de Cuba e também ajudar as pessoas que foram forçadas a sair de Cuba", disse.
Marco Rubio disse que é preciso levar a sério quando um presidente fala e acrescentou que alguns dos homens responsáveis pela segurança de Maduro eram cubanos. "Se eu vivesse em Havana e estivesse no governo, eu estaria no mínimo preocupado", disse.