BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Os mais de dez anos no poder fizeram de Nicolás Maduro, 63, uma figura incômoda na esquerda latino-americana. De trabalhador do sistema de transporte coletivo de Caracas a líder sindical, de ministro a vice-presidente, seu caminho até a Presidência da Venezuela está intimamente ligado à figura de Hugo Chávez, que o escolheu como seu sucessor.

No comando do país, o ditador acumulou crises econômicas, protestos em larga escala, eleições contestadas e amargou um isolamento internacional nos últimos anos, mas vinha conseguindo se manter no poder apesar da oposição e da condenação global.

Neste sábado (3), após uma escalada de tensão com o governo de Donald Trump, o americano anunciou que o ditador e sua esposa foram capturados e levados para fora da Venezuela, após um ataque ao país, o que poderia encerrar um regime de mais de 25 anos.

Maduro nasceu em 23 de novembro de 1962, em Caracas. É filho de Nicolás Maduro García e Teresa de Jesús Moros. Casou-se com a advogada Cilia Flores, outra líder histórica do chavismo, e é pai do também político Nicolás Ernesto Maduro Guerra.

O ditador cresceu em uma família com tendências políticas à esquerda e não teve uma educação formal universitária.

Seus primeiros passos na política foram dados ainda na década de 1970, quando ele ingressou na Liga Socialista, um grupo marxista-leninista-maoísta e, mais tarde, aderiu ao Movimento Revolucionário Bolivariano, fundado por Hugo Chávez.

Maduro trabalhou na rede de transporte metropolitano de Caracas, tornando-se mais tarde líder sindical da categoria.

Sua carreira pública decolou quando Chávez foi eleito em 1998, e Maduro ocupou diferentes funções no chavismo, incluindo a de um dos redatores da nova Constituição, deputado e ministro das Relações Exteriores. Enquanto foi ministro, comandou a aproximação do país com China, Cuba e Irã.

Em 2012, Maduro deixou a pasta para assumir a Vice-Presidência da Venezuela. Em 2013, Maduro assumiu o comando do país de forma interina, após a morte de Chávez, acometido por um câncer, e venceu o opositor Henrique Capriles nas eleições com uma margem estreita, o que gerou denúncias de irregularidades.

Com a queda do preço do barril de petróleo, a escalada da inflação, o aumento de protestos de rua e da insatisfação popular, em 2015 o chavismo sofreu uma derrota eleitoral que lhe custou a maioria no Parlamento.

Sem contar com a mesma popularidade de Chávez e enfrentando pressões internas e externas, Maduro se tornou o rosto da pior crise econômica enfrentada pelo país. O ditador declarou um estado de emergência econômica em 2016, o que lhe deu poderes extraordinários.

Na eleição de 2018, Maduro foi declarado reeleito, mas o processo foi considerado fraudulento, e sua base de apoio popular diminuiu ainda mais. Apesar de perder apoio internacional, ele manteve o apoio das Forças Armadas e de aliados como Rússia e China.

No processo eleitoral mais recente, em que Maduro buscava seu terceiro mandato consecutivo, a líder oposicionista María Corina Machado foi impedida pelo regime de se candidatar. Em seu lugar, a oposição agrupada na Plataforma Unitária Democrática apresentou Edmundo González.

Em mais um novo processo eleitoral com ampla denúncia de fraudes, o Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor com 51,2%. A oposição afirma que as atas mostram que González foi o vencedor; o regime nunca divulgou os documentos.

Neste sábado, a secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, afirmou que Maduro e Flores serão julgados em Nova York. Ele também enfrentava severas acusações de corrupção e violações de direitos humanos.