BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da Espanha e de um grupo de países governados por líderes da esquerda na América do Sul publicaram uma nota na qual rechaçam a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.
No mesmo comunicado, os governos de Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai dizem estar preocupados com tentativas de "controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos" ?numa referência às declarações do presidente Donald Trump de que os EUA governariam a Venezuela até uma transição e que companhias americanas explorariam o petróleo venezuelano.
Para esses países, qualquer ação nesse sentido é incompatível com o direito internacional e representa uma ameaça à estabilidade regional. Todos os signatários são governados por líderes de esquerda.
"Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas", escreveram os países, na nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.
"Tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional baseada em normas, além de colocarem em risco a população civil."
Os governos também dizem que a crise na Venezuela precisa ser resolvida "exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem ingerências externas e em conformidade com o direito internacional".
"Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana", acrescentaram.
Na maior intervenção contra a América Latina em décadas, os EUA atacaram a Venezuela no sábado (3), bombardeando a capital, Caracas, e capturando Maduro e sua esposa.
O ditador e a primeira-dama, Cilia Flores, foram então transportados para Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.