BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em suas redes sociais, Diosdado Cabello Rondón, 62, tenta deixar clara sua lealdade ao chavismo ao se definir como: bolivariano, revolucionário e chavista radical na luta pela construção do socialismo.
Desde o último sábado (3), quando um ataque perpetrado pelos Estados Unidos capturou o ditador Nicolás Maduro, Cabello forma a tríade agora no comando da Venezuela ?ao lado da vice, Delcy Rodríguez, e do ministro da Defesa, Vladimir Padrino.
Atual ministro do Interior, da Justiça e da Paz, Cabello é uma das figuras mais respeitadas e temidas do chavismo e possui uma longa trajetória no regime. Durante anos, foi a face mais expressiva do setor militar do PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela).
Nascido em El Furrial (estado de Monagas), em 15 de abril de 1963, em uma família de classe média, entrou para a academia militar e seguiu carreira nas Forças Armadas, quando se aproximou do homem que se tornou seu padrinho e referência política: Hugo Chávez.
Na condição de discípulo chavista, fez parte do golpe fracassado de 14 de fevereiro de 1992 contra o presidente Carlos Andrés Pérez, e o militar foi preso e forçado a ir para a reserva. Seis anos depois, ajudou a conduzir a campanha que levou Chávez à Presidência.
Cabello ganhou destaque após a tentativa de derrubada de Chávez, em 2002. Quando a população pediu o retorno do presidente, ele reapareceu, assumiu o poder por cinco horas, libertou Chávez da prisão e devolveu o poder ao líder bolivariano.
Cabello, então, passou a controlar os serviços de inteligência ao ocupar a pasta do Interior pela primeira vez. Foi governador do estado de Miranda, onde ficou até 2008. Foi também ministro da Infraestrutura até 2010, deputado e presidente da Assembleia Nacional, de 2018 a 2020.
Apesar de ter mantido força na estrutura do chavismo, com influência no círculo militar, a imprensa relatou ao longo dos anos uma rivalidade crescente entre Cabello e Maduro.
Em sua trajetória, o ministro também acumula passagens obscuras internamente e investigações no exterior. Em 2014, foi processado em Miami por supostamente receber subornos de uma empresa de engenharia venezuelana.
No ano seguinte, o chavismo o defendeu após notícias sobre seu envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, o que ele nega; diferentes organismos internacionais o acusam de conduzir perseguição a opositores.
Mais recentemente, os Estados Unidos impuseram sanções a ele a outros líderes do regime, em 2018, e passaram a oferecer recompensas por sua captura, assim como pela de Nicolás Maduro.