BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Após o ataque à Venezuela no último sábado (3), que levou à captura de Nicolás Maduro, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, prontamente afirmou que o país se opunha a tropas estrangeiras, chamando a ação dos Estados Unidos de uma grande afronta à soberania do país latino.
Figura central no regime chavista, Padrino, 62, acusou o governo de Donald Trump de atacar civis em diversas cidades do país.
Conhecido por sua lealdade ao regime, ele forma uma das bases do poder no país, junto com a vice, Delcy Rodríguez, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
O militar nasceu em Caracas em 30 de maio de 1963 e ocupa a pasta da Defesa há mais de uma década, sendo o ministro mais duradouro na história do país. Com longa trajetória militar nas Forças Armadas, ele conheceu Hugo Chávez, e sua lealdade ao líder venezuelano formou sua identidade política.
Ele teve um papel significativo na resposta ao golpe de Estado contra Chávez em abril de 2002, liderando uma unidade de blindados que não se juntou ao levante.
Com a ascensão de Chávez e, em seguida, de Maduro ao poder, Padrino se tornou uma figura proeminente na repressão de manifestações contra o regime. Ele é criticado por seu papel em abusos durante protestos em 2017 e foi alvo de sanções do governo dos EUA em 2018 por suposto envolvimento em tráfico de drogas. Padrino sempre negou essas acusações, considerando-as infundadas.
Ele se destaca como uma figura-chave a uma possível resistência militar venezuelana ante a intervenção dos Estados Unidos, ainda que as Forças Armadas enfrentem desafios, como deserções e problemas financeiros.
Padrino dirige uma estatal responsável pela fabricação de uniformes a laticínios e controla centenas de empresas tomadas pelo Estado. Críticos apontam seu enriquecimento nos últimos anos e, recentemente, foi alvo de controvérsias nas redes sociais relacionadas ao casamento de sua filha em uma instalação militar.
Mesmo com a crise na Venezuela, o militar continuava leal ao regime chavista. Ele também segue sendo uma figura influente no Exército do país.
Ao comentar a captura de Maduro, o general defendeu a legitimidade do ditador. "Ontem fizeram refém a pessoa que o povo da Venezuela elegeu como presidente. Ele é o presidente constitucional eleito pelo povo para o período de 2025 a 2031. Ele é o presidente autêntico e líder genuíno, líder constitucional de todos os venezuelanos."
Padrino pediu a condenação do governo namericano e disse que a Venezuela é livre e rechaça a invasão de tropas estrangeiras que estão longe de supostamente combater o narcotráfico.