PACARAIMA, RR (FOLHAPRESS) - A fronteira do Brasil com a Venezuela em Pacaraima (RR) recebeu nesta segunda (5) o reforço de dois blindados Guaicuru no primeiro dia útil após o ataque dos Estados Unidos e captura do ditador Nicolás Maduro. Há cerca de 15 militares fiscalizando o local, mais do que no domingo (4).

A Operação Acolhida reabre nesta segunda os trabalhos de recebimento e triagem de migrantes venezuelanos. Os que chegam com esse objetivo fazem filas à espera da abertura dos serviços da operação, por volta das 8h.

Nestor Urvina, 54, de Puerto la Cruz, diz ter demorado 3 dias em viagem de moto para chegar a Pacaraima, onde receberá um primeiro registro e cartão do SUS antes de tomar vacinas exigidas pelo Brasil.

Vendedor ambulante, afirma que a situação econômica difícil o fez buscar o Brasil. "Não há trabalho, é preciso sobreviver de algum jeito", diz. Ele deixou a moto em Santa Elena de Uairén e afirma que vai vendê-la para seguir viagem no Brasil.

A recepção dos imigrantes e solicitantes de refúgio carrega situações migratórias diversas, inclusive de alguns venezuelanos que já vivem no Brasil e vão à fronteira para resolver pendências na Venezuela ou renovar documentos, por exemplo.

Angel Vicente Arroyo, 40, de Puerto Ayacucho, estava na fila de quem já possuía documentação, mostrada à reportagem. Ele mora em Brasília e havia pedido demissão para voltar à Venezuela e resolver problemas familiares.

O fluxo de veículos na fronteira também é maior do que no domingo, dia em que a fronteira registrou baixo movimento --embora comum, em razão do fechamento de comércios e dos serviços da Operação Acolhida, que só funciona para emergências. No sábado (3), dia do ataque, a fronteira chegou a ser fechada, mas reaberta no mesmo dia.

Venezuelanos que fazem o trajeto diário entre Pacaraima e Santa Elena do Uairén, cidade fronteiriça do país vizinho, celebraram a queda do ditador, ainda que tenham se mostrado apreensivos com o futuro.

Mais comedidos na celebração, os migrantes que chegam para triagem evitam comemorações explícitas e falam do ataque americano e da captura de Maduro indiretamente.

"O que aconteceu, aconteceu", disse Urvina. "Vai demorar um tempo para o país se arrumar."

Newsletter EUA x Venezuela Receba as notícias sobre o conflito no seu email *** Ele não acredita que a permanência no poder de figuras próximas a Maduro, que ele se refere a "esses que estão aí", possa resolver a situação do país. "Não sei o que vai se passar. Mas vai levar tempo."