BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, compareceu à cerimônia de posse da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nesta segunda-feira (5) em Caracas, capital do país vizinho.

O ato formal de posse de Delcy ocorreu após o Supremo Tribunal venezuelano determinar que ela assumisse o comando do Executivo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. A solenidade aconteceu na Assembleia Nacional.

Delcy chegou ao poder na Venezuela depois que o ditador Nicolás Maduro foi capturado por militares americanos, que bombardearam Caracas durante a operação. Maduro foi levado a Nova York, onde será julgado por narcoterrorismo.

Embaixadores são normalmente convidados para cerimônias de posses dos líderes dos países onde exercem suas funções. A ida de Glivânia é mais um sinal de que o governo Lula (PT) a enxerga como a nova governante do país.

Na noite de sábado, a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, afirmou que o Brasil reconhecia Delcy como a presidente interina da Venezuela.

"Na ausência do atual presidente, [Nicolás] Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina", declarou Maria Laura, após participar de uma reunião no Itamaraty para avaliação da situação no país vizinho.

Como a Folha de S.Paulo revelou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Delcy. De acordo com o Palácio do Planalto, o telefonema ocorreu poucas horas depois da captura de Maduro, e Lula buscava confirmar diretamente com autoridades venezuelanas as informações que acompanhava pelos meios de comunicação.

Na cerimônia de posse desta segunda, Delcy declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento "com pesar".

"Venho, como vice-presidente do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, prestar juramento", iniciou ela. "Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos."

"Mas devo dizer que tenho a honra de jurar, em nome de todos os venezuelanos, pelo nosso pai libertador, Simón Bolívar, cujo sangue libertador corre pelas veias dos venezuelanos. Juro pelo comandante Hugo Chávez, que devolveu a dignidade de milhões de venezuelanos", seguiu.