SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sob clima de tensão após a captura pelos Estados Unidos do ditador Nicolás Maduro, ao menos 14 jornalistas e trabalhadores da imprensa, incluindo profissionais de veículos estrangeiros, foram detidos nesta segunda (5) durante a cobertura da posse da líder interina do país, Delcy Rodríguez, na Assembleia Nacional, em Caracas.

A denúncia é do Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela (SNTP). Segundo o órgão, as detenções ocorreram dentro do Palácio Legislativo e nos arredores. Até a publicação deste texto, quatro profissionais tinham sido liberados, mas o paradeiro de alguns detidos permanecia desconhecido.

Em nota divulgada nas redes sociais, o SNTP fala em "desaparecimento forçado". Segundo a organização, em um primeiro momento, os profissionais foram levados por agentes da Direção Geral de Contrainteligência Militar ao comando da Guarda Nacional instalado dentro do próprio Palácio Legislativo.

Durante a detenção, os agentes exigiram as senhas de acesso e inspecionaram os celulares dos profissionais. Ainda segundo o sindicato, os militares acessaram fotografias, listas de contatos, conversas privadas, contas das redes sociais, emails e arquivos armazenados na nuvem em busca de informações contrárias aos interesses do regime chavista.

O sindicato menciona o caso do jornalista Daniel Álvarez, repórter da emissora Televen. Segundo o SNTP, os policiais levaram o celular do profissional para inspeção enquanto ele permanecia detido, antes de sua liberação. Não foram divulgadas as identidades ou os veículos dos outros profissionais.

Para o sindicato, as ações policiais desta segunda violam o direito à privacidade e o sigilo das fontes jornalísticas, além de reforçar um padrão de criminalização do exercício do jornalismo no país. O SNTP relata ainda que, durante a cobertura da posse, jornalistas foram impedidos de transmitir ao vivo, gravar vídeos ou tirar fotografias.

A entidade afirmou que continuará acompanhando o caso e reiterou o pedido para que todos os profissionais detidos sejam libertados, bem como para que sejam garantidas condições mínimas para o livre exercício da imprensa na Venezuela.

Enquanto Maduro continua em Nova York, onde se apresentou a um tribunal nesta segunda, a vice do ditador deposto, Delcy Rodríguez, assumiu a liderança interina da Venezuela.

Diante dos deputados que acabavam de tomar posse, ela declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento "com pesar" pela ausência do ditador.

O juramento foi feito diante do irmão de Delcy e presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e acompanhado pelo filho de Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra.

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