SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo menos 27 pessoas foram mortas no Irã, incluindo cinco menores de idade, desde o início da onda de protestos no final de dezembro, segundo um balanço divulgado nesta terça-feira (6) pela ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega.

Os protestos se espalharam para algumas cidades no oeste e sul do país após se expandirem de um foco econômico para frustrações mais amplas contra líderes religiosos do país. As manifestações ainda não atingem, no entanto, a escala da agitação que varreu o país entre 2022 e 2023 após a morte de Mahsa Amini, detida pela polícia porque supostamente não estava usando o hijab, o véu islâmico.

"Pelo menos 27 manifestantes foram mortos por tiros ou outras formas de violência perpetradas pelas forças de segurança em oito províncias", escreve a organização em seu site, acrescentando que mais de mil pessoas foram presas.

O Irã também permanece sob pressão internacional, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tendo ameaçado na sexta-feira (2) ajudar os manifestantes no Irã caso as forças de segurança atirassem contra eles. Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, prometeu não "ceder ao inimigo".

A rede de ativistas de direitos humanos Hrana afirmou que pelo menos 29 pessoas foram mortas e 1.203 foram presas até 5 de janeiro.

As autoridades iranianas não divulgaram um balanço de mortos entre os manifestantes, mas disseram que pelo menos dois membros das forças de segurança morreram e mais de uma dúzia ficaram feridos.

"Enquanto fazem distinção entre manifestantes e desordeiros, as forças de segurança têm lidado com força contra os desordeiros, prendendo-os no local ou após identificação pelas unidades de inteligência", disse o chefe de polícia do Irã, Ahmadreza Radan nesta terça-feira (6), de acordo com a mídia estatal. "Ainda há tempo para aqueles que foram enganados por serviços estrangeiros se identificarem e aproveitarem a grandeza da República Islâmica."

REGIME PROMETE REFORMAS

Durante os protestos, segundo a Hrana, os motes foram além das demandas econômicas e incluíram críticas à governança e pedidos por justiça. Até então, as manifestações aconteceram em 27 das 31 províncias do país e se expandiram para cidades menores, informou o grupo.

A economia iraniana há anos sofre turbulências causadas pelas fortes sanções aplicadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia. O rial iraniano caiu em relação ao dólar e outras moedas mundiais -quando os protestos eclodiram no domingo, o dólar americano era negociado a cerca de 1,42 milhão de riais, em comparação com 820 mil riais um ano atrás-, forçando a alta dos preços de importação e prejudicando os varejistas.

As autoridades iranianas reconheceram as dificuldades econômicas, mas acusaram redes ligadas a potências estrangeiras de "empurrar os protestos econômicos para o caos e a desordem". O chefe do Judiciário prometeu não ter piedade dos "desordeiros".

O presidente do país, Masoud Pezeshkian, pediu diálogo e prometeu reformas para estabilizar os sistemas monetário e bancário e proteger o poder de compra.

O regime anunciou uma reforma de subsídios, com a remoção das taxas de câmbio preferenciais para importadores. As transferências passam a ser diretas aos iranianos, com a ideia de aumentar o poder de compra para bens essenciais. A medida deve entrar em vigor em 10 de janeiro. O chefe do banco central também foi substituído em 29 de dezembro.