SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira (7) que o reajuste do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil vão injetar R$ 110 bilhões na economia brasileira em 2026.
"Só o salário mínimo injetará na economia mais de R$ 80 bilhões no ano", disse Marinho em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov.
Durante a entrevista, o ministro também afirmou acreditar ser possível aprovar o fim da escala de trabalho 6x1 em um ano eleitoral.
A nova tabela do Imposto de Renda passou a valer em 1º de janeiro de 2026 e zera a cobrança do tributo para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5.000. Além disso, reduz a carga tributária de quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês.
O salário mínimo, por sua vez, foi reajustado em 6,79% e passou a ser de R$ 1.621 neste ano.
O novo valor também impacta benefícios pagos pela Previdência Social, como aposentadoria, pensão e BPC (Benefício de Prestação Continuada), abono do PIS/Pasep, atrasados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e contribuição do MEI (Microempreendedor individual).
Durante a entrevista, o ministro voltou a afirmar que o fim da escala 6x1 é uma prioridade do governo Lula em 2026. Segundo ele, o governo vê a redução como "plenamente possível"
"Muita gente vê como uma contradição, eu vejo como uma oportunidade. Evidente que eu chamo atenção dos trabalhadores e trabalhadoras da necessidade do processo de mobilização e participação ativa neste processo", disse.
Marinho também afirmou que o governo defende a redução da jornada máxima de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais, dizendo que uma redução maior neste momento não condiz com a realidade brasileira.
"Não vejo que o Brasil pode caminhar rapidamente para 36 horas semanais. Queria aqui também trazer uma tranquilidade ao mundo empresarial. Falar de 44 para 36 horas numa tacada só, eu acho que não seria salutar, não seria sustentável do ponto de vista imediato", afirmou.
Marinho destacou ainda que o Congresso não deve se preocupar em definir a redução para cada unidade fabril, comercial ou de serviços. "Isso deve ser delegado aos contratos e às convenções coletivas. O detalhamento precisa ser feito a quatro mãos, com trabalhadores e empregadores que conhecem aquela realidade", disse.
Segundo ele, a discussão representa uma oportunidade de melhorar as condições no mundo do trabalho, com impactos positivos sobre acidentes e doenças ocupacionais. "Quanto mais se melhora esse ambiente, menor é a incidência de acidentes e doenças no trabalho, e é isso que esperamos nesse debate sobre a escala 6x1".
O ministro também comentou sobre um possível aumento no fluxo de imigrantes venezuelanos para o Brasil. De acordo com ele, ainda é cedo para avaliar se haverá crescimento significativo, mas o país deve continuar acolhendo trabalhadores estrangeiros.
"O Brasil tem que recepcionar todos os irmãos que para cá vierem precisando de trabalho. Estamos de braços abertos, inclusive aproveitando o momento de escassez de mão de obra brasileira para absorver quem nos procura", afirmou.
Na entrevista, Marinho disse ainda que, a pedido do presidente Lula (PT), permanecerá no governo e não disputará a reeleição para a Câmara dos Deputados nas eleições deste ano.