SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte a tiros de uma mulher de 37 anos por um agente do ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, na cidade de Minneapolis deixou grande parte do país em estado de tensão. O episódio provocou indignação de moradores, políticos e autoridades locais e deve desencadear uma nova onda de protestos massivos pelo país.
Manifestações já foram convocadas em ao menos seis cidades americanas.
Milhares de pessoas se reuniram para uma vigília à luz de velas ainda na noite de quarta-feira (7), em Minneapolis, para lamentar e protestar contra o episódio. A vítima foi identificada como Renee Nicole Good. Segundo relatos de familiares à imprensa americana, ela tinha três filhos: uma menina de 15 anos e dois meninos, de 12 e 6.
Good também era uma poeta premiada e amante de cinema. Estudou escrita criativa na Universidade Old Dominion, em Norfolk, e ganhou o Prêmio da Academia de Poetas Americanos para estudantes de graduação.
Em maio de 2020, Minneapolis foi palco de um outro episódio marcante de violência: o assassinato brutal de George Floyd, um homem negro que foi sufocado até a morte por um policial branco. A sua morte motivou manifestações dentro e fora dos EUA e virou tema central nas eleições.
Desta vez, Good foi morta dento de seu carro enquanto aparentemente tentava fugir de uma operação de fiscalização imigratória, em mais um incidente violento durante a repressão nacional contra imigrantes promovida por Donald Trump.
Seus familiares a descrevem como uma pessoa "extremamente amorosa, compreensiva e afetuosa" e contestam a versão dada pelo governo de que Good teria confrontado agentes do ICE. A sua mãe, Donna Granger, afirmou que a filha "foi uma das pessoas mais gentis" que já conheceu.
Moradores que se reuniram em Minneapolis para protestar contra o tiroteio foram recebidos por agentes federais fortemente armados e usando máscaras de gás, que dispararam munições químicas contra os manifestantes.
A operação de quarta-feira faz parte da repressão nacional do presidente republicano contra imigrantes. Trump enviou agentes federais de imigração para cidades governadas por democratas nos EUA durante 2025, o que gerou reações negativas dos moradores e dos líderes locais.
Nas últimas semanas, agentes federais foram enviados a Minneapolis e à cidade vizinha de Saint Paul após acusações de fraude envolvendo imigrantes somalis, que Trump chamou de "lixo".
O prefeito da cidade, Jacob Frey, culpou o presidente por aumentar as tensões em torno da fiscalização imigratória. "Para o ICE, deem o fora de Minneapolis. Não queremos vocês aqui", afirmou em pronunciamento. O governador de Minnesota, Tim Walz ?que concorreu à vice-Presidência ao lado de Kamala Harris em 2024?, criticou o governo do republicano por sua resposta ao incidente, que classificou de "terrorismo doméstico". "Não acreditem nessa máquina de propaganda", escreveu.
Trump afirmou que o caso parece ter sido um ato de legítima defesa. "A mulher que dirigia o carro estava muito agitada, obstruindo e resistindo, e então, de forma violenta, intencional e cruel, atingiu o agente do ICE, que aparentemente atirou nela em legítima defesa", disse nas redes sociais.
As narrativas conflitantes refletem a polarização política dos EUA.
Um vídeo do momento mostra agentes mascarados se aproximando do carro de Good, que estava parado em uma rua. O carro então dá ré e se afasta, passando ao lado de um agente que então atira contra a motorista.
Nas imagens não há qualquer sinal de que o agente tenha sido atropelado ou ferido pelo carro, embora a secretária de Segurança Interna americana, Kristi Noem, tenha dito que o homem foi atendido em um hospital e liberado.
O FBI e autoridades do estado de Minnesota estão investigando o caso.