SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O paranaense que morreu em combate na Ucrânia após ir voluntariamente atuar na guerra pediu ajuda antes para a Embaixada brasileira para retornar ao país, segundo a viúva.

Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, 25, morreu em confronto na guerra da Ucrânia, segundo sua família. Sua morte foi confirmada por um comandante de uma Brigada ucraniana no último domingo.

O brasileiro morreu em uma missão na região de Donbass, relatou Rafaela Alves, companheira de Gustavo, à reportagem. Ele estava desde julho do ano passado na Ucrânia, após decidir ir de forma voluntária para o conflito.

Gustavo teria pedido ajuda para a Embaixada do Brasil. Rafaela contou à reportagem que o brasileiro enviou ao órgão um email no dia 27 de julho pedindo ajuda para voltar. Gustavo era pai de um menino de três anos.

Ele ficou seis dias na Ucrânia e se arrependeu. Ainda de acordo com os relatos da companheira, Gustavo percebeu que a estrutura que acreditava que encontraria, não existia, e que desejava retornar. Sem respostas, ele passou por um treinamento e seguiu no país mesmo tendo sido enganado, relatou.

"Vim ao país como voluntário, mas neste momento me encontro sem recursos financeiros, sem abrigo e sem condições de permanecer aqui", disse Gustavo.

"Depois dos vinte dias de treinamento ele foi enviado para uma missão que era de 15 dias. Desses 15 dias se passaram cinco meses. Dois meses fiquei sem notícias dele", afirma Rafaela Alves.

ITAMARATY DIZ QUE ACOMPANHA FAMÍLIA

O Ministério de Relações Exteriores não confirmou se houve ou não pedido de ajuda por parte do brasileiro. O órgão também não confirma o óbito de Gustavo, mas disse que presta apoio à família e permanece em contato com as autoridades locais.

"Pedi ajuda. Enviei email para todo mundo. Mas eles dizem que não tem registro do óbito. A gente tem um filho, nossa história tem cinco anos. Não tem um corpo para enterrar e velar, é falta de consideração que as pessoas têm", diz Rafaela.

O Itamaraty informou, ainda, que publicou um alerta recente sobre a participação de brasileiros em conflitos armados em outros países. O ministério pede para que brasileiros recusem propostas para voluntariado nas forças armadas estrangeiras.

"Eles [Ministério de Relações Exteriores] não têm nada que comprove a morte ou desaparecimento dele. Dizem que não sabem de nada", afirma Rafaela Alves.

Rafaela diz que as pessoas estão sendo cruéis com comentários na internet. Após repercussão da morte, ela relata que tem lido comentários de julgamento, questionando as motivações da ida do homem para lá.

Gustavo disse que buscava "um propósito", em mensagem encaminhada à companheira. "Tenho um sentido para a vida, vim querendo m encontrar e acabei achando um sentido para minha vida, aqui eu tenho um propósito", disse.

No final de dezembro o brasileiro relatou que tinha esperança em voltar. Ele alegou que o contrato estava perto do fim e que sentia saudades da família.

O brasileiro já tinha servido no Exército do Brasil em 2018. Rafaela conta que ele foi aprovado recentemente para ser oficial do Exército, mas por causa de uma mudança da família para Brasília, não conseguiu seguir o sonho: "Eu quis vir embora e ele abandonou esse sonho. Era para ele ser oficial".

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