SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que teme que os Estados Unidos tentem conectar a sua imagem com a de Nicolás Maduro para invadir o país.

Além do possível link com Maduro, o presidente disse ter receio de que os EUA o rotulem como um traficante de drogas. "Ele está completamente errado sobre isso [relação com as drogas]. Eu vivo humildemente do meu salário, mesmo que ele seja relativamente alto para os padrões da Colômbia", disse, em entrevista ao jornal americano The New York Times.

Petro atribuiu a "imagem errada" que Trump tem dele à falta de uma comunicação direta entre os dois países. Segundo o jornal, ele também culpou a direita da Colômbia e dos EUA pela comunicação deficitária.

Questionado sobre se continuaria a escrever mensagens provocativas a Trump nas redes sociais, ele disse que não. Após o ataque à Venezuela, Petro disse que o americano tinha um "cérebro senil" e cogitou a possibilidade de "pegar em armas" para defender a Colômbia.

As falas foram dadas ao jornal americano antes de Petro marcar uma reunião com Donald Trump. Na conversa com o jornal americano, ele também afirmou que planeja dormir no palácio presidencial

Os presidentes conversaram por telefone por uma hora nesta quarta-feira (7). Após a ligação, o latino colombiano que foi chamado para ir a Washington. Não há uma data prevista para o encontro, já que o visto de Petro foi revogado pelos EUA em setembro.

COLÔMBIA TEME 'CATÁSTROFE' NA AMÉRICA LATINA

Vice-chanceler da Colômbia disse que ataque dos EUA na Venezuela poderia escalar e desencadear uma "catástrofe" sem precedentes na América Latina. "Se houver uma crise humanitária de grande envergadura, a crise, o impacto, a devastação serão incontroláveis. (...) Estamos falando de uma catástrofe que a América Latina não conhece", afirmou Mauricio Jaramillo à AFP.

O governo colombiano (de esquerda) condena a incursão militar ordenada pelo presidente norte-americano, em Caracas. O país sul-americano considera um "sequestro" a detenção do líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a esposa dele, Cilia Flores, com declarações que despertaram a ira de Washington e aprofundaram ainda mais o desgaste da relação entre países historicamente aliados.

Após atacar a Venezuela, Trump suscitou a possibilidade de invadir a Colômbia. Nos últimos dias, o líder norte-americano falou que uma nova operação militar em território colombiano parece "uma boa ideia", após responsabilizar o país pelo tráfico internacional de drogas.

TENSÕES

Desde que Trump assumiu seu segundo mandato em 2025, as relações entre EUA e Colômbia têm se deteriorado progressivamente. De lá para cá, Trump e Petro entraram em embates públicos diversos sobre questões como segurança regional, tarifas e políticas de imigração.

Já nos últimos dias, o presidente norte-americano afirmou que uma operação na Colômbia semelhante à realizada na Venezuela parece "uma boa ideia". Assim como fez com o presidente venezuelano deposto, o republicano acusa Petro de traficar drogas para os Estados Unidos, sem apresentar provas ?o que o colombiano nega. O republicano chegou a descrever o líder sul-americano como "um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos EUA". E ameaçou: "Não fará isso por muito mais tempo".

Em resposta, o presidente da Colômbia e ex-guerrilheiro divulgou que pegará "de novo em armas" se for preciso para defender seu país dos EUA. "Jurei não tocar mais em uma arma desde o pacto de paz de 1989, mas pela pátria voltarei a pegar em armas que não queria", publicou ele nesta semana no X.

nesta quarta-feira (7), Petro afirmou que Trump está com o "cérebro senil" após o republicano acusá-lo de envolvimento com o tráfico internacional de drogas. "O rótulo imposto por Trump a mim, de foragido do narcotráfico, é um reflexo de seu cérebro senil. Ele vê os verdadeiros libertários como narcoterroristas porque nós não entregamos nem o carvão, nem o petróleo", afirmou o líder colombiano em postagem.

Petro também criticou o governo Trump e afirmou que "o povo dos EUA deve se responsabilizar diante do mundo" pelo voto no republicano. O colombiano voltou a criticar o ataque feito pelos EUA na Venezuela, e reiterou que o sequestro de Maduro foi motivado por interesses no petróleo do país. Ele ressaltou que a Colômbia é um país rico em carvão, mas destacou que a extração desenfreada desses produtos ?carvão e petróleo? significam destruir a vida humana e seus "cenários paradisíacos" em prol de "interesses capitalistas".

(Com AFP e Reuters)