SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (8) que suspendeu novos ataques contra a Venezuela. O anúncio ocorre um dia após o regime anunciar a libertação de presos políticos no país.
Ao menos cinco pessoas foram soltas, segundo a ONG venezuelana Foro Penal. A ditadura de Nicolás Maduro realizava detenções arbitrárias como forma de perseguição política, e opositores eram detidos sob acusações de terrorismo, conspiração e traição à pátria.
"A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como sinal de que está buscando a paz", afirmou o republicano em um post na rede social Truth. "Por essa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques prevista."
Ele disse ainda que Washington e Caracas estão "trabalhando bem juntos". "Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que era anteriormente esperada, a qual tudo indica não será necessária", completou.
A mobilização militar na região, porém, deve continuar, já que Trump afirmou que os navios de guerra enviados ao mar do Caribe permaneceram onde estão para garantir "ordem e proteção". Segundo Trump, ao menos US$ 100 bilhões (cerca de R$ 538 bilhões) seriam investidos na Venezuela por grandes empresas do setor petrolífero.
O presidente deverá se reunirá com representantes destas companhias ainda nesta sexta-feira na Casa Branca.
O anúncio da liberação dos presos foi feito na quinta-feira (8) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez ?irmão da líder interina, Delcy Rodríguez. Ele disse que a decisão foi um "gesto unilateral de paz" e que, portanto, não teria sido acordado com nenhuma outra parte.
A renomada ativista Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania venezuelana e espanhola e que foi presa em fevereiro de 2024 ao tentar deixar a Venezuela, está entre os libertados. Ela estava detida no Helicoide, prisão rotulada por organizações de direitos humanos como "centro de tortura" da ditadura.
Os outros quatro estavam no presídio El Rodeo, segundo a Foro Penal.
Outro libertado foi o ex-candidato à Presidência da Venezuela Enrique Márquez, detido após se denunciar irregularidades nas eleições de 2024, que deram um terceiro mandato a Maduro apesar de diversas evidências de fraude.
Junto com Márquez, também foi libertado o ex-deputado e opositor do regime chavista Biagio Pilieri. Ele também estava detido no Helicoide, desde agosto de 2024, segundo seus correligionários. Pilieri é amigo e aliado da opositora María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025.
São as primeiras libertações sob Delcy Rodríguez, que assumiu após a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar dos EUA, no sábado (3). Ambos estão presos em Nova York.