SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O regime do Irã responsabilizou os Estados Unidos pelo aumento dos protestos no país persa e acusou Washington de contribuir para a "transformação de manifestações pacíficas em atos violentos, subversivos e de vandalismo generalizado". As declarações foram feitas pelo embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saeid Iravani, ao Conselho de Segurança nesta sexta-feira (9).

Em carta enviada ao órgão, Iravani criticou o que classificou de "conduta contínua, ilegal e irresponsável dos Estados Unidos da América", afirmando, sem apresentar provas, que Washington atua em conjunto com Israel para interferir nos assuntos internos do Irã. Segundo o diplomata, essas ações ocorreriam por meio de ameaças, incitação e incentivo deliberado à instabilidade e à violência.

O embaixador afirmou ainda que os EUA adotam práticas desestabilizadoras que, em sua avaliação, minam a Carta fundadora da ONU, violam princípios fundamentais do direito internacional e colocam em risco as bases da paz e da segurança internacionais.

Nos últimos dias, Trump ameaçou autoridades iranianas, afirmando que haverá um "inferno a pagar" caso as manifestações sejam reprimidas com violência. "É melhor não começarem a atirar, porque nós também começaremos a atirar", disse o republicano a jornalistas na Casa Branca nesta sexta.

A ameaça ocorreu poucos dias após o ataque dos EUA contra a Venezuela e cerca de sete meses após a ofensiva conduzida por Washington e Israel contra instalações nucleares iranianas.

Pelo menos 45 manifestantes, além de dois policiais, foram mortos na atual onda de protestos no Irã até quinta-feira (8), segundo a ONG norueguesa Iran Human Rights. Os atos contra o regime e as dificuldades econômicas começaram a engrossar em 28 de dezembro e, desde então, vêm ganhando força.

Com as manifestações atingindo todas as 31 províncias iranianas, o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, adotou a linha dura. Ele disse nesta sexta que Teerã "não irá tolerar cidadãos agindo como mercenários para estrangeiros".

"Na noite passada em Teerã, um bando de vândalos e arruaceiros veio e destruiu um prédio que pertence ao Estado, ao povo, só para agradar o coração do presidente dos EUA", disse Khamenei. Trump deve "cuidar do próprio país", completou o líder supremo.