SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Milhares de pessoas saíram às ruas de Teerã nesta segunda-feira (12) para apoiar o regime do Irã, que enfrenta mais uma onda de manifestações que já deixou mais de 500 mortos desde o final do ano passado, segundo uma ONG de direitos humanos.

Segundo a mídia estatal iraniana, os manifestantes participaram de um ato fúnebre em homenagem a agentes que teriam sido mortos nos protestos. Na véspera, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, havia instado a população a participar de uma "marcha de resistência" contra a violência cometida, segundo ele, por "criminosos terroristas urbanos".

O político participou dos protestos nesta segunda. Agências estatais divulgaram imagens de Pezeshkian andando entre manifestantes que agitavam bandeiras enquanto os cumprimentava.

As manifestações contra o governo começaram no final do ano passado em resposta à alta no custo de vida, mas logo se voltaram contra o o regime teocrático que está no poder há mais de 45 anos. No domingo, o presidente tentou abordar o descontentamento da população.

"Se as pessoas têm preocupações, é nosso dever resolvê-las, mas o dever maior é não permitir que um grupo de arruaceiros venha e perturbe toda a sociedade", afirmou ele em uma entrevista televisionada, pedindo que as pessoas "não se deixarem enganar por esses arruaceiros e terroristas".

"O inimigo infiltrou terroristas treinados no país. Os manifestantes violentos e os sabotadores não são o povo que está protestando. Nós ouvimos os manifestantes e fizemos todos os esforços possíveis para resolver seus problemas", completou, acusando os Estados Unidos e Israel de estarem por trás dos protestos.

Em um discurso para a multidão na Praça Enqelab, em Teerã, nesta segunda, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que os iranianos estão travando uma guerra em quatro frentes: "guerra econômica, guerra psicológica, guerra militar contra os EUA e Israel e, hoje, uma guerra contra o terrorismo".

Segundo ele, 53 mesquitas e 180 ambulâncias foram incendiadas desde o início dos protestos. "Nenhum iraniano atacaria uma mesquita", afirmou.

Imagens de câmeras de segurança do interior da Mesquita Abuzar, em Teerã, mostraram uma dúzia de pessoas, a maioria usando máscaras faciais, saqueando o prédio, jogando livros no chão e destruindo móveis na semana passada. A agência de notícias Reuters confirmou a data e o local. A mídia estatal informou que a mesquita foi incendiada em 9 de janeiro.

As mortes nos atuais protestos já estão em 538 desde o dia 28 de dezembro, segundo a ONG de direitos humanos Hrana. Desses, há 490 manifestantes e 48 membros de forças de segurança. O número de presos, ainda de acordo com a entidade, já supera 10 mil. Não é possível confirmar de forma independente esses números, e o regime até agora não divulgou balanço oficial de vítimas.

O Irã costuma reprimir com violência as ondas de manifestações que de tempos em tempos ocorrem no país desde a revolução de 1979, que impôs um regime ultraconservador que afeta especialmente as mulheres ?o Irã é um dos únicos países, ao lado do Afeganistão, que exigem por lei que as mulheres cubram o cabelo, por exemplo.