SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta segunda-feira (12) que teve uma "boa conversa" com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e que uma ação militar em território mexicano contra cartéis foi descartada por ora. Em ligação telefônica, os dois trataram principalmente sobre segurança e esforços para reduzir o tráfico de drogas, segundo Sheinbaum.
A declaração foi dada durante a chamada mañanera, uma entrevista coletiva diária que virou habitual na Presidência mexicana sob o antecessor de Sheinbaum, Andrés Manuel López Obrador.
A presidente mexicana escreveu no X que os dois líderes discutiram ações de segurança que respeitem a soberania do México, redução do tráfico de drogas, e comércio e investimento.
Na publicação, a presidente afirmou que "colaboração e cooperação dentro de um quadro de respeito mútuo sempre produzem resultados."
No domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou com o ministro das Relações Exteriores mexicano, Juan Ramon de la Fuente, sobre a necessidade de uma cooperação mais forte para desmantelar as violentas redes narcoterroristas do México e interromper o tráfico de fentanil e armas, disse um porta-voz do Departamento de Estado.
Na última quinta-feira (8), Trump afirmou em entrevista à rede de televisão Fox News que o país iria "começar a atacar os cartéis por terra. Eles mandam no México."
O republicano já havia ameaçado, em 2025, realizar incursões militares em território mexicano. Sheinbaum tem rejeitado repetidamente a possibilidade de "qualquer intervenção" dos EUA em seu território e reiterou que isso violaria a soberania do país.
Sob pressão do presidente republicano, o governo mexicano tem intensificado ações contra o narcotráfico para frear o envio de drogas sintéticas, como o fentanil, para os EUA.
Em meados de dezembro, Trump assinou um decreto que equipara o potente opioide sintético a uma arma de destruição em massa. Naquele momento, Sheinbaum rebateu a decisão, afirmando ser necessário analisar as causas de consumo antes de mudar sua classificação.
Além disso, o presidente americano também classificou uma série de grupos criminosos latino-americanos, inclusive cartéis mexicanos, como terroristas ?o que abre brechas legais, sob algumas interpretações, para um tratamento mais ofensivo com relação a essas organizações, de origem em outros países e atuantes nos EUA.
As ameaças de Washington compõem a estratégia da Casa Branca sob Trump para o Hemisfério Ocidental, que combina pressão econômica e política a ameaças de uso da força militar, em atualização da Doutrina Monroe, vigente no século 19.
Na época, a política pretendia eliminar influências europeias no continente, proclamando uma "América para os americanos" sob tutela dos EUA. Com o tempo, virou justificativa para o imperialismo americano na América Latina e as várias intervenções contra países da região.
O chamado "corolário Trump" à doutrina estratégica ganhou agora outra dimensão com o ataque americano a Caracas no dia 3 janeiro e captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, julgado em Nova York. A ação reviveu o histórico de intervenções militares diretas dos EUA no continente americano, considerado por Washington sua esfera de influência.