SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Irã acusou nesta terça-feira (13) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incentivar a desestabilização política, incitar a violência e ameaçar a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional do país, escreveu o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, ao Conselho de Segurança da organização.
"Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela consequente perda de vidas civis inocentes, particularmente entre os jovens", escreveu ele na carta, que também foi enviada ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
A menção à perda de vidas civis é uma rara admissão por parte do regime da resposta violenta aos protestos, os maiores e mais letais desde a Revolução Iraniana de 1979. Segundo organizações de direitos humanos que atuam no exterior, 2.000 pessoas já foram mortas por agentes de segurança até aqui.
Para Iravani, Washington incentiva os atos na busca de "um pretexto para uma intervenção militar". O diplomata escreveu a carta em resposta a uma publicação de Trump nas redes sociais feita no início desta terça.
O americano afirmou que cancelou qualquer diálogo com autoridades iranianas e incentivou manifestantes iranianos a "tomarem as instituições", em mais um sinal de apoio americano aos grandes protestos que tomaram as ruas de diversas cidades do país persa e já somam 2.000 mortes, pelas contas da ONG de direitos humanos Hrana.
"Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR ?TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]", escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.
Em outro indicador de que os protestos são reprimidos de forma brutal, entidades afirmaram que Teerã deverá executar, nesta quarta-feira (14), um manifestante preso. Se concretizada, essa será a primeira aplicação da pena de morte desde o início dos atos.
Em entrevista à CBS News, Trump também comentou essa possibilidade e prometeu retaliação. "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas? Tomaremos medidas muito duras se fizerem algo assim", disse o presidente americano, sem dar mais detalhes.
A contagem de ao menos 2.000 mortos expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado em 28 de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente. No começo do domingo (11), as estimativas ainda estavam entre 100 a 200 vítimas, subindo para 500 ao fim da noite. Agora, a cifra já é o quádruplo de dois dias atrás.
Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.