SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Donald Trump mostrou o dedo do meio e xingou um homem que o teria chamado de "defensor de pedófilo", durante uma visita à fábrica da montadora Ford, em Dearborn, no Michigan, nesta terça-feira (13).
No vídeo, o presidente dos Estados Unidos aparece em uma plataforma elevada e, ao fundo, é possível ouvir um suposto funcionário gritando "protetor de pedófilo". Em seguida, Trump aponta o dedo para alguém e parece dizer "fuck you" (o equivalente a "vá se foder").
"Um lunático estava gritando palavrões descontroladamente em um acesso completo de fúria, e o presidente deu uma resposta apropriada e inequívoca", disse um porta-voz da Casa Branca à agência Reuters.
O presidente executivo da Ford, Bill Ford, falou com a imprensa depois de receber Trump. Ele classificou o incidente de lamentável e disse estar envergonhado com a situação. "Foram seis segundos em uma visita de uma hora. E a visita foi ótima", afirmou. "Acho que ele gostou muito e nós também."
Trump tem enfrentado críticas sobre a maneira com que seu governo lida com o caso de abuso e exploração sexual do financista Jeffrey Epstein, morto em 2019.
O Departamento de Justiça divulgou, em dezembro, uma parte dos arquivos do caso Epstein. Figura da alta sociedade nova-iorquina, o financista é acusado de ter explorado sexualmente mais de mil jovens, incluindo menores de idade.
Após a divulgação, Trump instou departamento a "envergonhar" qualquer democrata que tenha trabalhado com Epstein. As últimas revelações de documentos contêm inúmeras referências a Trump, incluindo documentos que detalham os voos que ele fez no jato particular do financista. O republicano era seu amigo, mas diz ter se distanciado dele quando seus crimes vieram à tona.
Trump também se mostrou relutante em falar sobre o caso, apesar do forte apoio do Partido Republicano a uma maior transparência sobre os parceiros do falecido.
"Agora foram encontradas mais um milhão de páginas sobre Epstein. O Departamento de Justiça é obrigado a dedicar todo o seu tempo a esse embuste inspirado pelos democratas", escreveu Trump em dezembro.
"Foram os democratas que trabalharam com Epstein, não os republicanos. Divulguem todos os seus nomes, envergonhem-nos e voltem a ajudar nosso país!", disse ele. "A esquerda radical não quer que se fale do SUCESSO DE TRUMP E DOS REPUBLICANOS, apenas do falecido Jeffrey Epstein, que morreu há muito tempo. É apenas mais uma caça às bruxas!!!", acrescentou.
Trump não disse quais democratas poderiam aparecer nos arquivos. O Departamento de Justiça não cumpriu o prazo de 19 de dezembro para publicar os arquivos na íntegra, apesar de uma lei que o obrigava a fazê-lo.
O vice-secretário de Justiça, Todd Blanche, atribuiu anteriormente o atraso na publicação à necessidade de ocultar cuidadosamente as identidades das vítimas de Epstein.
No momento da divulgação parcial de arquivos, o departamento ainda defendeu Trump e disse que os arquivos contêm "afirmações falsas e sensacionalistas" contra ele, apresentadas ao FBI antes das eleições de 2020, que o republicano perdeu para o democrata Joe Biden.
O órgão não especificou quais acusações são falsas. "Se tivessem um pingo de credibilidade, sem dúvida já teriam sido usadas como arma contra o presidente Trump", acrescentou.