SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Até aqui fora dos planos de Washington para a Venezuela pós-Nicolás Maduro, a líder opositora María Corina Machado se encontrou pela primeira vez, nesta quinta-feira (15), com o presidente Donald Trump, que determinou uma operação militar no último dia 3 para capturar o então ditador venezuelano.

María Corina foi laureada com o Nobel da Paz de 2025 por seus esforços para promover uma "transição justa e pacífica da ditadura para a democracia", segundo o comitê do prêmio. Após a queda de Maduro, ela chegou a dizer que poderia assumir o poder na Venezuela.

O governo de Donald Trump, entretanto, tem priorizado o diálogo com a líder interina Delcy Rodríguez, que foi vice do ditador deposto e é representante do chavismo. Da mesma forma, o líder republicano deverá receber, também nesta quinta, um representante do regime venezuelano na Casa Branca.

Trump afirmou na quarta (14) que conversou por telefone com Delcy, no primeiro contato público entre os dois desde a captura de Maduro. O diálogo sinalizou uma inflexão na relação bilateral, marcada nos últimos anos por ruptura diplomática, sanções e confrontos retóricos.

Segundo Trump, a conversa foi longa e abrangente. "Discutimos muitas coisas", disse a jornalistas, ao afirmar que "tudo vai muito bem" com a Venezuela, quase duas semanas após o bombardeio de Caracas e de outras regiões do país, que culminou na prisão de Maduro. O americano descreveu Delcy Rodríguez como "uma pessoa formidável" e alguém com quem Washington "trabalha muito bem".

Do lado venezuelano, Delcy classificou o telefonema como "produtivo e cortês", feito em um ambiente de "respeito mútuo". Em mensagem publicada no Telegram, afirmou que os dois abordaram "uma agenda de trabalho bilateral em benefício dos povos", além de pendências históricas na relação entre os governos.

O contato ocorreu num contexto de reaproximação entre Caracas e Washington, que já deram início à retomada de relações diplomáticas e à assinatura de acordos energéticos. Também coincide com uma nova rodada de libertação de presos políticos, iniciada na semana passada. Entre os beneficiados está o jornalista e reconhecido ativista opositor Roland Carreño, preso no início de agosto de 2024, em Caracas.

María Corina, por sua vez, foi à Noruega, no ano passado, para receber a láurea da paz. Neste mês, viajou ao Vaticano, onde participou de audiência com o papa Leão 14 e pediu ao pontífice que pressione Caracas a libertar os presos políticos.

O cenário político venezuelano continua no centro das atenções internacionais. Após conversa telefônica na quarta, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da Rússia, Vladimir Putin, manifestaram preocupação com a situação no país e reiteraram a importância de que a América do Sul e o Caribe permaneçam como "zonas de paz".