SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A rede de notícias Tasnim, ligada ao regime teocrático do Irã, afirmou nesta sexta-feira (16) que 3.000 pessoas foram presas por participar da onda de manifestações que se espalhou pelo país. A cifra diverge muito da contagem de ONGs de direitos humanos, que falam em números até seis vezes maior.
De acordo com o balanço mais recente da organização Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, cerca de 20 mil pessoas foram detidas por ligação com os protestos. A entidade também diz que ao menos 3.428 manifestantes morreram devido à brutal repressão.
As informações são limitadas por falta de acesso à imprensa internacional e pelo bloqueio de internet. Segundo relatos feitos à agência Reuters, a resposta violenta do regime parece ter contido, pelo menos por ora, os protestos em massa. Há uma forte mobilização de forças de segurança e militares em áreas urbanas do país.
Moradores de Teerã disseram que a capital estava tranquila desde domingo. (11), com drones sobrevoando a cidade. Ainda de acordo com esses relatos, não haviam sido vistos sinais de protestos na quinta ou na sexta-feira.
Outro morador de uma cidade no norte, às margens do Mar Cáspio, disse que as ruas também pareciam calmas. Houve, no entanto, indícios de distúrbios em algumas áreas.
A IHR informou que uma enfermeira foi morta por disparos diretos das forças governamentais durante protestos em Karaj, no oeste do país. Os relatos de repressão geraram reação internacional, e o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar o país.
Nesta sexta (16), o Pentágono mobilizou dois grupos de porta-aviões para manter a pressão sobre o Irã. Apesar da pressão, Trump baixou expectativa de um ataque após dizer nesta semana que havia sido informado por uma alta autoridade iraniana de que "a matança havia parado".
A repressão vinha sendo usada como argumento para um intervenção direta.
Aliados dos EUA no Oriente Médio, como Arábia Saudita e Qatar, realizaram uma série de reuniões de diplomacia com Washington nesta semana para evitar um ataque americano, alertando sobre repercussões.
O site Axios informou que o diretor do Mossad (serviço de espionagem israelense), David Barnea, chegou aos EUA nesta sexta para conversas sobre a situação no Irã. Teerã suspendeu a execução de um manifestante que estaria prevista para ocorrer nesta semana.
O Irã, que aplica a pena máxima por meio do enforcamento, é o segundo país do mundo com mais execuções depois da China, de acordo com ONGs de direitos humanos.