SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A líder da oposição venezuelana e vencedora do Nobel da Paz, María Corina Machado, afirmou que espera ser eleita presidente da Venezuela "na hora certa". A declaração foi feita em entrevista exibida nesta sexta (16) pela Fox News, gravada após seu encontro, na quinta, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano, por ora, não sinaliza disposição para pressionar por uma mudança de regime.

"Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente", disse María Corina. Questionada sobre o futuro do país, ela respondeu que deseja liberdade. "E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo."

O cenário político da Venezuela passa por mudanças após a deposição de Nicolás Maduro, ditador capturado por forças americanas em Caracas, no último dia 3. Delcy Rodríguez, que era vice, assumiu o comando do regime de forma interina e, desde então, mantém diálogos com Trump.

Trump e Delcy já conversaram por telefone, e o americano descreveu a venezuelana como "uma pessoa formidável" e alguém com quem Washington "trabalha muito bem". O líder republicano também já disse que María Corina "não tem o apoio interno nem o respeito do país" para governar a Venezuela.

A opositora deixou o território venezuelano com apoio dos EUA, em dezembro, para receber na Noruega o Prêmio Nobel da Paz. Ela não chegou a tempo da cerimônia de entrega, entretanto, e foi representada pela filha. Na quinta (15), durante o encontro com Trump na Casa Branca, María Corina decidiu entregar a medalha do Nobel ao presidente, num gesto descrito por ele como maravilhoso e de respeito mútuo.

Mesmo que María Corina tenha dado a medalha para Trump, a honra continua sendo dela. O Instituto Nobel da Noruega afirmou que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado. Ainda assim, na entrevista à Fox, a opositora disse que a homenagem a Trump foi emocionante.

"Decidi entregar a medalha ao presidente em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração", afirmou. Segundo ela, há precedentes históricos. "Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington [o primeiro presidente dos EUA]".

Lafayette, militar francês que participou da Guerra da Independência dos EUA, teve papel central também na Revolução Francesa de 1789. "Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha. Neste caso, o Prêmio Nobel", afirmou María Corina.

Trump diz que resolveu oito conflitos ao redor do mundo desde que assumiu o cargo, incluindo guerras marcadas por décadas de massacres, caso do conflito entre Camboja e Tailândia. Por esse motivo, manifestava abertamente o desejo de receber o Prêmio Nobel da Paz de 2025, distinção que acabou sendo concedida a María Corina.

A líder opositora foi impedida de disputar a eleição presidencial de 2024 por decisão da Suprema Corte da Venezuela, controlada pelo regime. Naquele pleito, Maduro foi declarado vencedor, mas observadores internacionais consideram que Edmundo González, candidato da oposição, foi o mais votado.