SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, disse nesta sexta-feira (16) estar confiante de que os protestos em massa no país persa derrubarão o regime islâmico e pediu apoio da comunidade internacional para esse fim. Pahlavi, filho do último xá do Irã, tenta se apresentar como alternativa para governar o país, mas é criticado por outras forças no exílio, que dizem que ele não tem mais contato com os iranianos no Irã.
Além disso, seu pai, Mohammad Reza Pahlavi (1919-1980), comandou por décadas um regime brutal marcado por tortura e repressão de dissidentes antes de ser derrubado na Revolução Iraniana de 1979. Analistas apontam que não há sinais claros de que o povo apoiaria a volta da monarquia caso os aiatolás sejam removidos do poder.
Pahlavi vive hoje em Washington, onde falou à imprensa nesta sexta. "A república islâmica cairá, é apenas uma questão de tempo", afirmou. O príncipe vem tentando convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a atacar Teerã para ajudar os manifestantes. Entretanto, países como Israel e as monarquias do Golfo, adversários do Irã, já se disseram contrários a uma ação do tipo, segundo a imprensa americana, por temer retaliações e por não acreditar que um ataque aéreo tenha impacto para derrubar o regime.
"Acredito que o presidente Trump é um homem de palavra e, em última análise, ele ficará ao lado do povo iraniano, como disse", afirmou Pahlavi quando questionado se Trump havia dado falsas esperanças. "O povo iraniano está tomando ações decisivas. Agora é hora de a comunidade internacional se juntar a eles plenamente."
Trump havia repetidamente advertido o Irã de que, se matasse manifestantes, os EUA interviriam militarmente. Ele também incentivou os iranianos a tomar controle das instituições estatais, dizendo que "a ajuda está a caminho".
Entretanto, duas semanas após sugerir ajuda pela primeira vez, o americano não agiu. As forças de segurança do Irã, enquanto isso, mataram mais de 3.000 manifestantes, segundo o grupo Iran Human Rights (IRH), com sede na Noruega, com outras estimativas colocando o número de mortos em mais de 5.000.
Trump, em vez disso, destacou o que disse ser o fim das mortes de manifestantes, à medida que o tamanho dos protestos diminuiu nos últimos dias. O Irã chegou a adiar a execução do manifestante Erfan Soltani depois de o republicano dizer que não haveria enforcamentos.
Pahlavi, buscando tocar um ponto sensível com Trump, pediu-lhe que não fosse como o antecessor Barack Obama, que negociou com Teerã, e pediu que Washington ataque a estrutura de comando da Guarda Revolucionária, a unidade militar de elite do Irã. Segundo o príncipe, ela é "fundamental para instituir o terror internamente e o terrorismo no exterior".
"Estou pedindo um ataque cirúrgico", disse Pahlavi, que apoiou a campanha militar de Israel contra o Irã em junho, que culminou com um bombardeio americano contra instalações nucleares do país persa. Ele também pediu a todos os países que expulsem diplomatas do Irã e ajudem a restaurar o acesso à internet, que foi cortado pelo regime.
Pahlavi disse que quer ser uma figura de proa para liderar uma transição para uma democracia secular, com um referendo popular para escolher o próximo sistema de governo. "Reafirmo meu compromisso de vida de liderar o movimento que recuperará nosso país da força hostil anti-iraniana que o ocupa e mata seus filhos", disse Pahlavi. "Eu voltarei ao Irã."
Pahlavi prometeu que um novo Irã teria melhores relações com os inimigos jurados da república islâmica, EUA e Israel, e se integraria à economia global. Ele disse que o país normalizaria rapidamente as relações com Israel em um "Acordo de Ciro", uma referência a Ciro, o Grande, o celebrado imperador persa que libertou os judeus do cativeiro na Babilônia.
"O Irã hoje deveria ter sido a próxima Coreia do Sul do Oriente Médio", disse ele. "Hoje, nos tornamos a Coreia do Norte."