SÃO PAULO, SP E ASSUNÇÃO, PARAGUAI (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou Lula (PT) para integrar o chamado Conselho da Paz, órgão criado para supervisionar o governo tecnocrático da Faixa de Gaza. A notícia foi publicada pelo site ICL Notícias e confirmada à reportagem por membros do Itamaraty.
A proposta foi feita pela embaixada do Brasil em Washington, mas ainda não há informações se o governo brasileiro aceitará o convite. Trump também convidou outros chefes de Estado, incluindo os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
O ultraliberal argentino, um dos principais aliados de Trump na América Latina, publicou uma foto do convite em uma publicação no X neste sábado (17). "É uma honra para mim ter recebido o convite para que a Argentina integre, como membro fundador, do Conselho da Paz", escreveu Milei.
"A Argentina sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de forma direta, que defendem a vida e a propriedade, e que promovem a paz e a liberdade."
Erdogan não se pronunciou sobre o convite de Trump -o anúncio foi feito pelo porta-voz do governo Burhanettin Duran. O americano convidou o ditador do Edito, Abdel Fatah Al-Sisi, segundo a chancelaria do país árabe, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que tem a intenção de aceitar a oferta, declarou um funcionário de alto escalão de Ottawa neste sábado.
O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou neste sábado que o anúncio de Trump sobre conselho de Gaza não foi coordenado com Tel Aviv e contrariou a política israelense. Segundo o comunicado, o ministro das Relações Exteriores de Israel, levará ao chefe da diplomacia dos EUA, Marco Rubio.
O órgão será presidido pelo próprio Trump. A sua criação faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para a região.
Além de Milei, farão parte do órgão Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair; os enviados de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner (este, genro de Trump); o bilionário americano Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e Robert Gabriel, assessor de Trump.
O conselho estará acima do chamado Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG, em inglês), liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina, entidade que governa parcialmente a Cisjordânia ocupada. Nascido em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, Shaath será responsável pela reconstrução do território palestino, em ruínas após dois anos de bombardeios de Israel.
Com a criação do conselho, o republicano cumpre o que prometeu, para espanto do mundo, em fevereiro de 2025, dias após voltar ao poder nos EUA. Na ocasião, o presidente disse que Washington assumiria o governo de Gaza, declaração da qual seu governo depois recuou.
Agora, os EUA terão controle administrativo e militar do território.
A atuação do Conselho da Paz e do NCAG estava prevista na segunda fase do plano de paz dos EUA, apresentado em setembro de 2025. O plano foi aceito por Tel Aviv e pelo Hamas e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro. Ele prevê também o envio de uma força militar de estabilização ao território, composta por Exércitos de países árabes, e o desarmamento do Hamas, ponto mais delicado do tratado.
O Hamas continua dizendo que só entregará as armas quando a criação de um Estado palestino se concretizar. A terceira fase do plano de paz prevê o reconhecimento desse Estado -um desfecho que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, já disse que nunca permitirá.
Milei viajou neste sábado até Assunção, no Paraguai, para participar da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia. Ao ser convidado a discursar, o presidente argentino voltou a defender a ação dos EUA na Venezuela que levou à prisão de Nicolás Maduro.
Ao defender o acordo como um símbolo de liberdade e integração na região, ele mencionou a situação na Venezuela como um exemplo. "A situação na Venezuela é uma prova disso, por isso valorizamos a decisão do presidente Donald Trump", disse Milei, arrancando alguns aplausos da plateia.