SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chefe da polícia nacional do Irã disse nesta segunda-feira (19) que as pessoas que foram "enganadas" a participar das manifestações que tomaram o país receberiam punições mais leves se se entregassem em até três dias.

"Os jovens que se envolveram involuntariamente nos protestos são considerados indivíduos que foram enganados, não soldados inimigos", disse Ahmad-Reza Radan à televisão estatal, acrescentando que "serão tratados com indulgência" pelo regime teocrático.

Segundo o anúncio, as pessoas teriam, no máximo, três dias para se entregar.

A atual onda de protestos no Irã começou em 28 de dezembro. Os atos se espalharam por todas as províncias do país e se transformaram na mais séria ameaça à teocracia desde sua instalação, em 1979.

Teerã respondeu com uma repressão violenta, deixando milhares de mortos, e as autoridades bloquearam a internet, evitando o envio de informações para fora do país. Também nesta segunda, o regime anunciou que a conexão voltará ao normal de forma gradual nesta semana, após 11 dias de corte.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou em um discurso televisionado nesta segunda que "se colocará contra qualquer iniciativa" que arraste a região para o caos, num possível recado a Donald Trump, que vem ameaçando intervir no país.

"Acreditamos que, com uma política que priorize o diálogo e a diplomacia, nossos irmãos iranianos, se Deus quiser, conseguirão superar este período cheio de armadilhas", disse Erdogan. Foi a primeira vez que o líder falou sobre os atos.

"Nosso vizinho Irã, após os ataques israelenses, enfrenta agora um novo teste que tem como alvo sua paz social e estabilidade", afirmou Erdogan. "Com nossa política externa centrada na paz e na estabilidade, continuaremos a nos opor a qualquer iniciativa que corra o risco de arrastar nossa região para a incerteza."

Um funcionário do regime do Irã afirmou no domingo (18) à agência de notícias Reuters que as autoridades do país teocrático contabilizaram ao menos 5.000 mortos devido aos protestos. Desse total, cerca de 500 seriam agentes de segurança. Ele, que pediu para não ser identificado, responsabilizou o que chamou de terroristas pela escalada da violência.

O funcionário também disse que alguns dos confrontos mais intensos e sangrentos ocorreram nas áreas curdas iranianas, no noroeste do país, uma região onde há grupos de separatistas da minoria étnica.

O aiatolá Ali Khamenei afirmou no sábado que as autoridades têm a obrigação de "quebrar a espinha dorsal dos sediciosos" e voltou a responsabilizar o presidente Donald Trump pelas mortes na repressão à recente onda de protestos.

"Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos", disse Khamenei a apoiadores durante um discurso transmitido pela televisão estatal. Ele acrescentou que "criminosos internacionais" tampouco serão poupados de punição. "Pela graça de Deus, a nação iraniana deve quebrar a espinha dorsal dos sediciosos, assim como quebrou a espinha da sedição", afirmou.