WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Manifestantes interromperam um culto dominical em St. Paul, no estado de Minnesota, na manhã de domingo (18) em protesto contra a presença do ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos, na cidade.
O grupo entrou na igreja e gritou palavras de ordem como "ICE out" (fora ICE, em inglês) e "justiça para Renee Good", em referência à americana que foi baleada e morta por um agente do ICE em Minneapolis no início do mês, caso que tem provocado uma onda de protestos no estado.
Em resposta, o Departamento de Justiça anunciou que está investigando o episódio por possíveis violações de direitos civis, incluindo a interrupção de um serviço religioso -crime sob leis federais que protegem a liberdade de culto.
Os manifestantes afirmaram que um dos pastores da igreja, identificado como David Easterwood, também atua como diretor do escritório do ICE em St. Paul, e acusaram-no de contradição moral por sua função na agência enquanto lidera uma congregação.
Em um vídeo do protesto divulgado no Facebook, o movimento na igreja parece durar pouco mais de 20 minutos. Na sequência, os manifestantes se dirigem para a parte de fora e continuam os protestos.
Em vídeos postados nas redes sociais pelos grupos que organizaram o ato, manifestantes dizem que a intenção era alertar os fiéis sobre a suposta incompatibilidade entre os ensinamentos cristãos e o trabalho do pastor no ICE.
Durante a interrupção, o culto foi brevemente suspenso e o pastor que estava no púlpito repreendeu os manifestantes, chamando a ação de "vergonhosa".
Na redes sociais, a Casa Branca, por meio da porta-voz Karoline Leavitt, criticou o protesto e afirmou que o presidente Donald Trump "não vai tolerar intimidação e assédio a cristões em seus locais sagrados de adoração".
Ao menos dois casos de violência policial foram registrados na última semana em Minnesota. No dia 7 de janeiro, a morte da cidadã americana Renee Nicole Good, 37, baleada por um agente do ICE, provocou indignação e mobilizações em massa contra a presença de forças federais.
Já no dia 14, um agente federal de imigração atirou contra um homem em Minneapolis, o que desencadeou mais protestos na cidade. Segundo o Departamento de Segurança Interna, o homem é um imigrante da Venezuela.
Ele foi atingido na perna e levado a um hospital para atendimento médico. As autoridades não divulgaram sua identidade. Em comunicado publicado na rede X, o departamento afirmou que "um estrangeiro ilegal da Venezuela" foi abordado durante uma fiscalização de trânsito e teria resistido à prisão.
"Enquanto o indivíduo e o agente da lei estavam em luta no chão, duas pessoas saíram de um apartamento próximo e também atacaram o agente com uma pá de neve e um cabo de vassoura", publicou a pasta.
Diante dos protestos, o governo Trump ameaçou, na semana passada, enviar as Forças Armadas para reprimir manifestações na cidade. O presidente disse que, caso os protestos continuem, invocará uma lei do século 19 que autoriza o uso dos militares para reprimir rebeliões armadas em território americano.
A simples menção à lei aumentou a preocupação entre autoridades estaduais e municipais, que já classificam a atuação federal como excessiva e desestabilizadora.
Criada em 1807, a legislação permite ao presidente empregar soldados das Forças Armadas em situações em que distúrbios civis ultrapassem a capacidade das autoridades locais de manter a ordem. A legislação foi usada pela Casa Branca durante a Guerra Civil e, nos anos 1960, para impor o fim da segregação racial. A última aplicação ocorreu em 1992, durante os protestos antirracismo em Los Angeles. Eles deixaram 63 mortos e milhares de feridos.