BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o ucraniano Volodimir Zelenski para integrar o chamado Conselho da Paz, parte da segunda fase do plano do americano para o fim do conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.
Zelenski confirmou o convite nesta terça (20), mas ainda não emitiu uma resposta, assim como o fez a maioria dos líderes globais chamados por Trump para compor o grupo, inclusive Vladimir Putin.
Os ucranianos, no entanto, há meses sob a expectativa de um acordo de paz para encerrar a invasão russa do seu território, dizem não se imaginar à mesa de qualquer comissão ao lado de Putin e do ditador da Belarus, Aleksandr Lukachenko, também chamado.
No fim desta segunda-feira (19), Trump confirmou que havia convidado Putin. Já nesta terça, foi a vez da China afirmar que recebeu o convite do americano.
O governo brasileiro também recebeu a invitação, assim como Argentina, Paraguai, Alemanha, Canadá, Polônia, Armênia, Cazaquistão, Uzbequistão, entre dezenas de outros, inclusive Israel.
O Planalto ainda não respondeu sobre o tema. Pesa sobre a decisão a estrutura do colegiado, tutelado por Trump, e o fato de o presidente americano buscar fazer do grupo uma alternativa aos foros tradicionais já estabelecidos de decisões internacionais, a ONU em particular ?muito embora o estabelecimento do conselho para Gaza tenha sido autorizado pelo Conselho de Segurança da organização.
O governo Trump pretende exigir o pagamento de ao menos US$ 1 bilhão dos países que desejem um assento permanente no grupo. As decisões seriam tomadas por maioria, com direito a um voto para cada Estado-membro, mas todas dependeriam da aprovação final do presidente americano.
Em meio ao turbilhão do pior momento da relação entre EUA e países europeus, o presidente da França, Emmanuel Macron, deve recusar participar do Conselho de Paz para Gaza, de acordo com a agência Reuters, citando uma fonte próxima do Eliseu.
Escanteado por Trump no trato da guerra em Gaza e agora um dos alvos preferenciais do presidente americano, Macron é um dos líderes do continente que tem tentado se posicionar mais firmemente em oposição a Trump desde que o republicano escalou suas ameaças de tomar para si a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.
Nesta terça, Trump fez uma série de publicações na rede Truth Social em que dobra a aposta no aprofundamento da crise com os principais aliados de Washington do último século.
Em uma delas, expôs mensagem de Macron em que o presidente francês teria afirmado não entender o que o americano estava fazendo com relação à Groenlândia.
Antes da publicação, Trump havia feito a ameaça tarifária e ironizado o mau momento político do francês, cujo mandato expira em maio de 2027. Questionado por jornalistas sobre a recusa relatada do presidente de integrar o Conselho da Paz, o presidente disse que "ninguém quer ele porque ele estará fora do cargo logo."
"Eu vou colocar uma tarifa de 200% nos seus vinhos e champanhes e ele vai aderir, mas ele não tem de fazer isso", afirmou. Nesta terça, o Ministério da Agricultura da França chamou a fala de chantagem.
O Fórum Econômico de Davos, na Suíça, promete ser um momento em que novas recusas e aceitações do convite para o colegiado sobre Gaza podem ocorrer. O próprio Macron convidou Trump para um jantar após o evento, em Paris ?os dois irão à Suíça, mas em dias diferentes e, portanto, não devem se encontrar.
Trump vai a Davos com grande comitiva, e deve se reunir com o egípcio Abdel Fattah al-Sisi, parte atuante nas negociações para o cessar-fogo em Gaza e também convidado para o conselho. Além disso, autoridades egípcias participam do Conselho Executivo para Gaza, o braço técnico que o plano de Trump prevê assumir a gestão do território palestino.