WASHINGTON, EUA, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a escalada de tensões com países europeus, o presidente dos EUA, Donald Trump, ironizou sua viagem a Davos, na Suiça. "Na Suíça, sou aguardado com muita expectativa e felicidade, sem dúvida", ironizou o americano.
No dia em que completa um ano de volta à presidência, Trump anunciou de surpresa que ele próprio falaria com jornalistas na Casa Branca. Pela agenda oficial, a entrevista a jornalistas desta terça-feira (20) seria conduzida pela porta-voz Karoline Leavitt. Poucos minutos antes do início do evento, no entanto, a imprensa foi informada de que o republicano assumiria as respostas.
Logo no início, Trump mostrou à imprensa fotos de supostos estrangeiros criminosos no estado de Minnesota. O lugar está sob alvo de operações massivas de imigração em meio a protestos contra a violência de agentes federais, que mataram uma mulher no início do mês.
"Em Minnesota, o crime está surreal", disse o presidente, que criticou o governo de Joe Biden, alegando que a culpa dos crimes no estado estão na conta do democrata. "Ele que os deixou entrar. Se não fosse por ele, isso não estaria acontecendo", afirmou o presidente.
"O problema são os rebeldes e encrenqueiros" em Minnesota, disse Trump, que voltou a atacar a comunidade somali do estado. "Pessoas com o QI muito baixo. A Somália nem é um país. Eles não têm nada que os faça parecer ser um país. Eles vem aqui, ficam ricos e não trabalham mais."
Antes da coletiva, a Casa Branca divulgou uma lista com 365 supostas vitórias do governo no primeiro ano de mandato. Entre elas, afirma ter capturado o líder venezuelano Nicolás Maduro, proibido pessoas transgênero de se alistarem nas Forças Armadas e alcançado o que chama de "imigração negativa", termo usado pelo governo para descrever o saldo migratório no período.
A entrevista ocorre em meio a uma semana marcada pelo endurecimento do discurso de Trump sobre a Groenlândia.
Na noite de segunda-feira, o presidente americano atacou líderes europeus, reiterou o desejo de ter controle sobre a Groenlândia e divulgou mensagens atribuídas ao presidente francês Emmanuel Macron. Trump também ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos franceses caso a França negue a entrada dos Estados Unidos no chamado Conselho da Paz, anunciado na semana passada.
Em Davos, na Suíça, Macron evitou citar Trump nominalmente, mas afirmou que, em vez de lidar com "valentões", a Europa prefere o respeito. "Diante da brutalização do mundo, a França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz, porque ele serve aos nossos interesses e aos de todos que recusam se submeter ao domínio da força", afirmou.
O presidente americano vai viajar a Davos na noite desta terça-feira. Em entrevista na noite desta terça-feira, ele afirmou que o evento "vai ser interessante" e que vai continuar os diálogos a respeito da Groenlândia.
A expectativa é que o republicano compareça com um grande comitiva e deve se reunir com o ditador egípcio Abdel Fattah al-Sisi, parte atuante nas negociações para o cessar-fogo em Gaza e também convidado para o conselho. Além disso, autoridades egípcias participam do Conselho Executivo para Gaza, o braço técnico que o plano de Trump prevê assumir a gestão do território palestino.