SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo Donald Trump publicou nesta terça (20) no site da Casa Branca uma lista de "365 vitórias em 365 dias", listando supostas conquistas da gestão desde que o republicano voltou ao poder em 20 de janeiro de 2025.

A lista inclui uma série de erros factuais, frases inverídicas, interpretações exageradas e ações preliminares que ainda dependem de aprovação do Congresso ou da Suprema Corte. Também cita muitas medidas verdadeiras, mas cuja legalidade questionada ou que têm pouco a ver com ações da Casa Branca.

A lista divide os 365 itens em dez categorias. "Protegendo as fronteiras da América e colocando os americanos em primeiro lugar"; "Tornando nossas comunidades seguras de novo"; "Reconstruindo uma economia para a classe trabalhadora"; "Defendendo a indústria e os trabalhadores americanos"; "Potencializando a inovação e tecnologia americanas"; "Reafirmando a liderança americana no mundo"; "Construindo um Exército mais forte e moderno"; "Fazendo um governo para as pessoas"; "Tornando a América saudável de novo"; e "Desbloqueando o domínio energético americano e o senso comum".

Entre as medidas que incluem erros estão, por exemplo, a afirmação de que o tráfico de fentanil, principal opioide que causa a crise de overdoses nos EUA, caiu 56% em um ano. Na verdade, a queda foi de 30%, segundo o jornal The Washington Post, seguindo uma tendência que vem desde 2023 ?as razões para isso ainda não estão claras, com especialistas sugerindo que as rotas de tráfico podem ter mudado.

A lista também está equivocada quando fala do corte de recursos que o governo Trump impôs à UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos. A Casa Branca diz que a agência empregou "centenas de combatentes do Hamas e jihadistas". Depois de uma investigação interna, a UNRWA demitiu apenas nove pessoas que identificou terem contato com o grupo terrorista.

Outros pontos da lista incluem inverdades. O governo Trump diz, por exemplo, que revogou vistos de "universitários subversivos pró-Hamas", medida que teria "restaurado a segurança, liberdade de expressão e valores americanos em universidades de todo o país". Não há provas de que os estudantes visados pelo governo federal, como o ativista palestino Mahmoud Khalil, tenham qualquer ligação com o grupo terrorista.

Também não é verdade que o número de homicídios em Washington caiu 60% desde agosto, quando o governo federal interviu na segurança da capital, como afirma a lista. Na realidade, houve uma queda de cerca de 30% entre 2024 e 2025, um dado que abarca o ano inteiro e reflete uma tendência constante dos últimos anos.

Outra inverdade é a afirmação de que os africâneres, a minoria branca da África do Sul, sofriam discriminação racial em seu país. É assim que a Casa Branca justifica o fato de que esses sul-africanos foram algumas das poucas pessoas a receberem status de refugiado nos EUA em 2025.

Há ainda pontos exagerados. A lista afirma que o governo Trump deportou 400 mil imigrantes que haviam cometido um crime ?uma análise da Folha mostrou que apenas 113 mil pessoas haviam sido deportadas pelo ICE de janeiro a setembro, e outros levantamentos apontam que apenas uma parcela diminuta dos expulsos tinha antecedentes criminais.

Outras afirmações são verdadeiras, mas estão fora de contexto, como quando a Casa Branca diz que Trump assinou um decreto encerrando a cidadania automática para filhos de imigrantes em situação irregular. O documento de fato foi publicado pelo governo, mas a Justiça suspendeu sua validade, e a Suprema Corte ainda não analisou a constitucionalidade da medida.

Existem ainda os pontos verdadeiros, mas que não aconteceram por ações diretas do presidente americano, como a queda no preço de ovos, a redução da inflação e o aumento do salário médio do trabalhador americano, três melhorias econômicas citadas na lista.

Parte da lista, por sua vez, está correta ?como quando a Casa Branca diz que o governo Trump cancelou mais de 100 mil vistos de imigrantes, que retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde e do Acordo de Paris, e que "construiu bandeiras americanas gigantes no terreno da Casa Branca como símbolo da força americana".