SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O FBI passou a liderar a investigação sobre o assassinato do enfermeiro Alex Pretti em Minneapolis, com apoio da DHS (Divisão de Investigações de Segurança interna) do ICE (Departamento de Imigração e Alfândega), disse a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin. Informação foi confirmada pela CBS News.
A investigação começou sob comando da DHS, uma decisão considerada incomum e que gerou questionamentos entre autoridades federais. Isso porque a agência normalmente não apura tiroteios envolvendo policiais e não tem estrutura nem equipamentos para tarefas essenciais nesses casos, como perícia balística, análise forense, exame de armas, revisão de vídeos e coleta de depoimentos em larga escala. Segundo a CBS News, a DHS atua em crimes ligados à imigração ou com conexões internacionais, como tráfico de pessoas e drogas, exploração infantil e contrabando.
Os disparos que mataram o enfermeiro podem ter partido de dois agentes do ICE, segundo um relatório preliminar do Departamento de Segurança Interna dos EUA. Documento foi enviado no sábado (24) ao Congresso e informações sobre as investigações iniciais repercutiram na imprensa norte-americana. O documento, não confirmou as alegações de autoridades federais de que a vítima estaria "empunhando" uma arma.
Os agentes federais envolvidos na morte de Pretti foram afastados de suas funções no ICE, segundo a canal Fox News. Segundo o Departamento de Segurança Interna, os agentes não estão mais em serviço no campo.
Governo dos EUA detalhou que medida faz parte do procedimento padrão. Decisão não deve ser interpretada como suspeita de irregularidades, segundo a gestão de Donald Trump.
Os agentes não foram identificados publicamente. O chefe da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos, Gregory Bovino, deixou o cargo de "comandante-geral" do ICE após a morte de Pretti.
TRUMP DIZ QUE NÃO ACREDITA QUE HOMEM MORTO PELO ICE ERA 'ASSASSINO'
Donald Trump destacou que há uma investigação em andamento. "Vou acompanhar de perto. Quero uma investigação muito honesta e transparente. Quero ver tudo com meus próprios olhos", declarou em entrevista a um grupo de jornalistas na Casa Branca.
Presidente classificou os recentes acontecimentos em Minneapolis como uma "situação muito triste". Ao comentar a morte de Pretti, Trump disse ainda que as pessoas não deveriam estar armadas durante protestos. "Você não pode ter armas. Você não pode entrar armado. Simplesmente não pode. Você não pode fazer isso. Mas foi um incidente muito lamentável", acrescentou.
Governo afirmou que o homem foi baleado após "se aproximar" de agentes com uma pistola. Apesar disso, ele não teria sacado a arma, segundo testemunhas que estavam no local. A família disse que ele possuía uma arma e tinha autorização para porte velado em Minnesota.
Alex Jeffrey Pretti foi acusado por integrantes do governo Trump de tentar matar agentes federais. Em uma postagem no X no sábado (24), Stephen Miller, um dos principais assessores políticos de Trump, descreveu Alex Pretti como um "potencial assassino". O vice-presidente JD Vance republicou a afirmação nas redes sociais.
QUEM ERA ALEX PRETTI
Pretti tinha 37 anos, era cidadão norte-americano, nascido no estado de Illinois e morador de Minneapolis. As informações foram repassadas por seus familiares à agência de notícias AP (Associated Press).
Ele trabalhava como enfermeiro de terapia intensiva em um hospital local, segundo a família. Em entrevista à AP, o pai de Alex afirmou que ele "se importava profundamente" com as pessoas e estava indignado com a repressão a imigrantes promovida pelo governo de Donald Trump em sua cidade.
Associação Americana de Enfermeiros, à qual Alex era associado, lamentou "profundamente" a morte do profissional. "A gravidade deste incidente e de outros exige transparência e responsabilização", divulgou a entidade em nota.
Pretti era um "homem amável", segundo relatado por uma vizinha ao The New York Times. Ao jornal norte-americano, ela contou que o vizinho costumava passear com seu cachorro pelo bairro, cumprimentando as pessoas pelo caminho. "Ele não é uma pessoa violenta", disse.
O tiroteio foi o terceiro envolvendo agentes do ICE em Minneapolis neste mês. O primeiro deles, em 7 de janeiro, resultou na morte de Renee Good, 37, mãe de três filhos que foi atingida na cabeça por disparos de um agente do Serviço de Imigração e Alfândega. O segundo, no último dia 14, atingiu na perna um venezuelano, alvo de detenção pelo ICE, que conseguiu fugir da abordagem.